photo capafic_zps05747545.jpg

" One day you're here, one day you're there, one day you care. You are so unfair.
Sipping from the cup, till it runneth over, holy grail."


Prólogo.

- O que você tem de fazer é apenas uma campanha,!- disse, batendo os papéis na mesa.
Eu já estava de saco cheio de toda essa merda! Essa mesma ladainha todas as manhãs, sem falar nessa cara de tapado metido a superior. Antipático, asqueroso e nojento! Olhei bem no fundo de seus olhos, inspirei e disse:
- Não posso fazer nada por você .
- Como não? Você é a chefe de marketing, salve essa porra! Você é paga pra quê? - Ele bateu os papéis em minha mesa e se levantou para fechar as cortinas, já que toda redação acompanhava nosso impasse - Você quer que eu te demita? É isso? - O homem se apoiou na mesa.
- Não! Só digo uma coisa: Se a Gossip está falida, o problema não é meu!
- Certo, o problema é nosso - Ele acrescentou e eu girei em minha cadeira, impaciente.
- ...
- Cumpra suas obrigações ou eu demito voce, !
Andei pela sala mostrando que não estava dando a mínima pela merda que proferia de sua boca e decidi pegar um café.
- ... não brinque comigo....
- Brincar? Só acho que nunca deixará você me demitir. Nesta revista eu comando um grupo de trezentas pessoas, incluindo redatores, jornalistas, designers e pubicitários. Eu sou a Gossip.
- Você tem razão - pareceu concordar, mas logo se aproximou mais de mim. Olhei para ele. No fundo, eu morria de medo, mas eu jamais deixaria isso transparecer. - - Ele começou e seu hálito gelado soprou em meu rosto. Suas mãos começaram a acariciar meus ombros e eu tentei me afastar, mas me segurou mais forte, me machucando um pouco. - Eu sei o que você quer - Ele disse, com malícia. Não posso negar que se não sentisse tanto nojo, ele até que seria um pouco atraente. - Vejo como você olha para mim... Se fizer a campanha, salvo seu emprego, sua reputação e de brinde sua vida sexual. - Ele deu uma risadinha irônica. Isso nao podia estar acontecendo.
- Olho para você cada dia com mais nojo... A minha vida sexual e profissional não é da sua conta e por último mas não menos importante: Eu não irei fazer porra nenhuma! - Apontei para a porta mas não saiu, ao contrário disso. me puxou pelo braço e juntou nossos lábios de forma violenta. Mordi sua língua e o deixei murmurando alguns xingamentos enquanto corria para pegar minha bolsa.
Assim que a alcancei a bolsa, também alcançou meu braço.
- Por quê? - Perguntei como um sopro.
- Porque o que,?
- Você merece morrer, sempre me tratou como lixo, nunca me gratificou por nada que eu fiz e olha que, volta e meia eu ando "salvando" essa revista. - Falei com os olhos inchados.
- Eu sempre fui assim com todos,.
- Você vai morrer pelas minhas próprias mãos, eu te juro. - Falei, fervendo de ódio.
- Você está louca...
- Eu vou matar você! - Falei ainda mais alto saindo da sala.
- LOUCA! - Ouvi gritar por fim.

Minutos depois estava em meu carro com um cigarro aceso e lágrimas nos olhos. Nunca senti isso por ninguém, esse ódio imenso. Eu precisava dar um jeito nisso, me livar, arrancar de uma vez de meu peito essa dor; e eu já sei como.
Dirigi até a casa de meus pais que estavam em Winsconsin, em nossa fazenda, e fui até o quarto. Na gaveta de Christian, meu pai, peguei seu antigo revólver e segurei com cuidado.
Hoje eu voltaria a viver, já , não.


SCENE 1

Eu só conseguia correr, sem olhar para trás. Os barulhos de tiros ecoavam enquanto eu corria pelos becos escuros do Brooklyn em busca de um lugar que eu pudesse me esconder. Os sons vinham atrás de mim como se quisessem algo. Então, suando frio,eu acordei.

"De novo não" pensei, assim que vi o relógio na cabeceira de minha cama. Levantei, ainda meio tonta, e me dirigi ao banheiro. "Quando essas malditas olheiras irão acabar?"
- Quando você parar de trabalhar tanto, - Respondi para mim mesma em voz alta enquanto analisava meu rosto em frente ao espelho. Cabelos escuros e compridos que fazem par com meus olhos e nenhuma bochecha. Quando era pequena eu era privilegiada com um par de bochechas não muito grandes, que se ajustavam perfeitamente em meu rosto, mas com o tempo elas sumiram. Particularmente para uma mulher de vinte e três anos, não me sinto nada atraente. Lembrei-me do horário e decidi tomar um banho rápido, só para me livrar da preguiça. Com a toalha enrolada no corpo, fiz um rabo alto em meus cabelos e escovei os dentes. Como nao ligo muito para a máfia da moda, repeti minha roupa do dia anterior e saí de casa, sem comer nada, de novo.
- , quer ver você - Pamella, recepcionista da revista, disse assim que eu passei por lá.
era sócio da Gossip antes da morte de seu dono e melhor amigo, . Bem diferente de , é amável, atencioso, respeitador... consequentemente se tornando um chefe melhor. Bati em sua porta e o ouvi autorizar minha entrada.
- Bom dia, - Eu disse, de maneira formal, sem saber como estaria seu humor hoje.
- Não posso dizer o mesmo, - disse, apontando para que eu me sentasse.
- O que houve? - Perguntei, aflita.
- , tudo bem... não é nada com o que deva se preocupar é que... eu ando pensando em . - Revirei os olhos desfarçadamente. Mais uma coisa da qual eu estava de saco cheio. Eu sei como é difícil mas, nem sequer se esforçou para tentar esquecer .
- , eu sei que... não deve ter sido fácil mas, gostaria que você contiuasse a construir seu império...
- , ele não foi um dos melhores chefes do mundo nem para você, nem para ninguém, então não tente me consolar. - disse, frio, ficando de costas para mim em sua cadeira.
- , por favor....
- Tudo bem,, por hoje é só... te vejo às sete para a reunião da revista.
Bufei e saí. Precisava de trabalho, por isso peguei o elevador até minha sala. Como esse cara, mesmo morto, atrapalha minha vida? Assim que cheguei lá, vi sentada em meu pequeno sofá, folheando o planejamento mensal da revista.
- Cara Delevigne e Rita Ora? - indagou e eu sorri.
- Quem poderia imaginar? - Perguntei de volta enquanto pegava um café.
fechou o edital e disse:
- Então, na sala do ....
- Eu acho que ele por um momento, se esqueceu de que eu gerencio o marketing e a propaganda desta revista e não sou psicóloga dele. - Desabafei, girando duas vezes em minha cadeira.
- Não acredito que ele tomou seu tempo para falar do maldito de novo! Olha, não sei quem ou o quê o matou, só sei que fez um bem enorme a humanidade!
- ... - Mesmo não gostando de eu não me sinto muito bem falando de sua morte e vida com outras pessoas, com passei momentos que luto todos os dias para esquecer.
- Tudo bem, sei que esse nunca foi um de seus assuntos preferidos.
- Ainda bem que você sa... - Fui interrompida pelas batidas de Sabrina em minha porta, autorizei sua entrada.
- Desculpe gastar seu tempo , mas saíram notícias sobre o caso de ...
- Saíram notícias, como assim? - Perguntei, desacreditando. havia morrido a um ano atrás e depois de o caso ter sido fechado, jamais tocaram no assunto. Pelo menos não publicamente.
- E quais são, criatura?- perguntou, meio ignorante e impaciente. não gostava muito de Sabrina, nunca soube ao certo o porquê, mas as duas vivem trocando farpas.
- Parece que descobriram, a arma do crime... Foi um revólver antigo calibre trinta e oito. Deve ser por isso que o doutor deve estar tão pensativo..
- Isso não ajudará muita coisa - falei, tentando parecer desapontada.
- Até porque não podem sair atrás de todos os tipos de revólver para saber qual atirou em - comentou - Ou podem?
- O.k, gente! Chega! está morto, à sete palmos abaixo da terra, agora nada fará a mínima diferença! Agora, uma coisa bem mais importante: Sabrina, você já enviou as matérias editadas à equipe de para que possamos estudar a revista hoje?
Sabrina hesitou e eu completei:
- Vá!

Depois de um tempinho verificando os sites e os posts da revista em minha sala, ouvi o telefone tocar e atendi:
- ? - Era a voz de Kirsten, a secretária de
- Diga, Kirsten. Teve um bom dia?
- Sim, por enquanto nada errado... O doutor gostaria que almoçasse com ele hoje, mais tarde-
Então estava tentando se redimir pela ignorância feita comigo hoje mais cedo? Bom saber..
- É claro que sim!-
- te espera às duas no estacionamento, sim?
- Muito obrigada.

Assim que desliguei o telefone me lembrei da reunião com a editora-chefe da Public!, nossa maior concorrente, amanhã bem cedo. Procurei esquecer por um momento e abri o site o de notícias. Na primeira coluna:
" Novidades no caso Gossip!"
" Caso Gossip?". Eu deveria processar o editor-chefe desse site, por publicar notícias antigas. O cara morreu a um ano atrás, ninguém nem lembra dele! Bufei alto e saí para encontrar no estacionamento.
O almoço com foi bem tranquilo, ele estava agindo como meu melhor amigo como fazia antes. Fiquei bem feliz por isso. Cheguei às cinco horas da tarde em casa e logo comecei a ajeitar o ambiente para receber e para a reunião da revista. Sempre tivemos vontade de fazermos reuniões informais, mas não gostava de confraternizações deste tipo. Então, quando ele morreu, as coisas ficaram bem diferentes...

SCENE 2


Acordei meio torta, com dores nas costas, até perceber que havia dormido no chão; acompanhada de muitos papéis.
Rolei para o lado e esbarrei em um corpo, meu deus! ! Estiquei o pescoço ainda no chão para olhar o relógio na parede de minha cozinha, dez horas. Fiquei de pé tão rápido que minha visão turvou. Chutei que acordou com um gemido.
- Qual é o seu problema? - Ela gritou e eu fiz sinal para que calasse a boca - Que foi? Ah!.. - Ela exclamou , olhando para que estava esparramado em meu sofá de dois lugares que deixava metade de suas pernas para fora. Segurei o riso.
- Vamos logo, são dez horas. - Comentei.
- Preocupada? Seu chefe está dormindo no sofá de seu apartamento,não vejo motivos para isso.
- já que pelo menos não vai se arrumar, arrume por favor a minha sala - Pedi, andando até meu quarto
- Você realmente precisa separar o pessoal do profissional, - disse e eu não dei ouvidos.
Tomei um banho rápido e, como de prache me lembrei de várias coisas que deveria fazer hoje, como or exemplo, a reunião com a editora-chefe de nossa revista concorrente, para qual eu estava atrasada.

- acho que devíamos ir logo para a... - Exclamei, surpresa, com a toalha enrolada em meu corpo assim que vi deitado em minha cama.
- Bom dia - Ele disse, calmo.
- Olha, eu entendo que queira uma cama confortável depois de passar a noite em meu sofá apertado mas estamos meio...
- Atrasados? - Ele me completou, parecendo entediado.
- Sim - Concordei abrindo meu armário e pegando um vestido preto qualquer.
- Tudo bem, tudo bem... - começou - Ignore meu mau-humor matinal. Posso tomar um banho?
- Claro - Respondi, jogando uma toalha em sua cabeça.
Depois de me vestir por completo fui até a sala e percebi que já havia arrumado um jeito de ir embora e deixara minha sala razoavelmente limpa. é uma das que já tentaram tirar meu perfeccionismo mas não conseguiram; recolhi os papéis que usaríamos hoje e os arrumei em uma pilha sob a mesinha de centro.
A cafeteira coou meu café de forma eficiente e eu o peguei, ligando a tevê na programação matinal. Trisha Lewis, uma das primeiras editoras da Gossip, apresentava animadamente o morning's show cuja emissora é afiliada à Public!. Pus a língua de fora e troquei de canal. Infelizmente, em Nova York, talk shows dominavam as manhãs.
Ouvi meu telefone tocar e corri para meu quarto, aonde estava a procura de uma camisa social minha que fosse um pouco mais larga. Ri ao ver a cena enquanto atendia o celular:
- Alô?
- , graças a Deus... ande logo! - Pamella dizia, afobada ao telefone. - Angella Guess está uma fera na sala de reuniões...
- Tudo bem, eu já estou indo... Por mais que sejam nossos concorrentes não posso deixá-los na mão, certo? - Brinquei enquanto cutucava fazendo sinal para que andássemos logo. Ele riu e foi abrir a porta.

Assim que desliguei o celular mandei uma mensagem para : Chegue antes de mim! Guess está uma arara na sala de reuniões.. a fera é sua! xo
- Eu disse que estávamos atrasados - Comentei, assim que saí de casa, vendo apertar frentica e apressadamente o botão do elevador.
O silêncio se estendeu por um longo período até chegarmos no estacionamento da revista.
- Porquê tão calado? - Perguntei enquanto jogava o meu carro em qualquer vaga.
- Não sei... algo me diz que não teremos notícias boas nesta reunião.
Suspirei e deixei que o silêncio tomasse conta de nós outra vez. - Tudo vai dar certo - Sussurrei afagando seu ombro antes de entrarmos na sala de reuniões.
Sentados em nossos devidos lugares, começou a reunião.
- Primeiramente bom dia e, mil desculpas pelo atraso. Você mesmo sabe, Angella, como é difícil ser chefe de uma revista de publicidade. - comentou, meio receoso.
- Ao contrário de vocês, nós da Public! temos o triplo do trabalho devido a preferência do público pela nossa revista. - Angella disse, calmamente. Que comece o round!
- Bom, Srta Guess, espero que seja bem direta com relação a seus interesses para com essa reunião. - Comentei, sem deixar de lado a provocação.
- Tudo bem, já que insistes... - Angella começou e pude ver afrouxar sua gravata. - Infelizmente, a Public! deve informá-los que, antes da Gossip, já trabalhou em outras revistas.
- Isso é fato - debochou mas Guess não deu ouvidos.
- Como eu estava dizendo, veio a sugerir algumas políticas de trabalho à Public! em seu período de estágio em nossa revista.
- já estagiou na Public!? - Perguntei, sem acreditar.
- Sim - Foi quem falou desta vez - Logo depois de acabar a faculdade de publicidade.
- Pois bem, todos esses métodos foram utilizados por ele assim que criara a Gossip, logo depois.
- E o que isso tem a ver? Os métodos são dele, não são? - interrompeu novamente, fazendo com que eu a lançasse um olhar para que ficasse quieta.
- Sim, mas no contrato assinado por em seu período de trabalho na Public!, tais métodos passaram a ser de nossos direitos autorais. Sendo assim.. ele não poderia tê-los usado.
- O que vale a assinatura de alguém que já morreu? - Perguntei. Angella de fato não pode fazer o que têm em mente. Caso contrário, a revista ficará em maus lençóis.
- Você pode elaborar campanhas belíssimas, minha cara , mas vejo que não é boa conhecedora de leis. nos deu sua assinatura, palavra e direitos autorais de seus métodos, prometendo que eles jamais seriam utilizados em outras revistas ou qualquer outro meio público. Ao criar a política de trabalho da Gossip, descumpriu isso, fazendo com que a Public! tenha o direito de processá-los.
"Não" foi o que sussurrou. A revista já não andava bem depois da morte de e agora as coisas por aqui só pioram. Dizem que o marketing é a alma do negócio mas nem minhas melhores propagandas podem salvar essa empresa. O que faz com que todos em volta da imensa mesa de vidro temam ver a revista ruir e ter seus emprego jogados fora. O que, no caso de um processo da Public! é bem provável.
- Como ousa fazer isso? Nós acabamos de passar por maus bocados com a morte de ...
- O mercado não espera, querido . E por mais rude e desprezível que fosse, ele era bem mais inteligente e experiente que você. Nos vemos nos tribunais. Com sua licença. - Angella Guess pegou seus pertences e saiu da sala a passos lentos, como se admirasse nossa derrota.

SCENE 3

Quase meia noite e as luzes de meu escritório ainda estavam acesas. estava sentado em uma poltrona não muito distante de mim e eu, girando apreensiva em minha cadeira. Na lixeira, era impossível contar se haviam mais rascunhos de trabalho ou copos de café.
- Sabe - começou, depois de alguns minutos em silêncio. - As vezes penso se estava tudo premeditado...
- ... não poderia fazer tudo isso simplesmente para te prejudicar.
- Então, me diz porquê? Porque ele assinou aquilo e logo depois veio a Gossip?
- Eu não sei.. talvez porque não estivesse passado por sua cabeça ter sua própria revista, apesar de tudo... não acho que seria capaz disso.
- Eu não sei, . Toda aquela conversa dele sobre seus métodos, sobre seus princípios.. Como no dia em que me chamou para ser seu sócio.

- Adivinha, irmão - disse animadamente ao dar uma golada em sua cerveja. - Vou abrir minha própria revista.
- Jura? - Perguntei meio surpreso - Parabéns! - Cumprimentei-o me lembrando de que eu acabara de sair da faculdade de administração e não tinha nem um emprego.
- Cara! Você pode ser meu sócio!
- Claro que não, ! Para de onda, não sei nada de publicidade...
- Mas sabe administrar! Eu entro com o capital e a publicidade e você com a administração..topa?
- Claro! - Respondi meio sem pensar


-E naquela época eu pensava mesmo que ele queria me ajudar..
- você não tem culpa! Era ambicioso, novo... não fique assim - Falei, sinceramente. Será mesmo que seria capaz de dar um golpe em ? Talvez ele só tenha morrido antes de acertar a revista e concretizar seus planos, eu não sei.. isso me parece tão complicado.
- Não, , você não entende. Eu não sou bom. Não ouviu Angella falar? - Seus olhos já estavam vermelhos.
- me escute, você é o chefe que toda revista piblicitária procura! Não dê ouvidos a ela.
- Angella ganhou sete prêmios de publicidade e propaganda, . Como não dar ouvidos?
- Me escute, caramba! Seja lá a merda que tenha feito nós vamos limpar e tornar essa revista uma das mais vendidas e adoradas pelo público.
- O que eu faria sem você? - disse, se levantando e me puxando para um abraço apertado. Sorri e me ajeitei novamente em minha cadeira.
- Não há de quê..agora, quais são suas ideias para salvar seu patrimônio, senhor ? - Perguntei e riu.
Três da manhã. O sol começava a aparecer pelas janelas de meu escritório. Agora só de blusa social e cabelo bagunçado, massageava suas têmporas procurando aliviar o estresse; e eu estava descalça, com meu copo de café em mãos e os cotovelos apoiados em minha mesa observando o monitor de meu computador. Decidi transcrever tudo o que decidimos. Basicamente apostamos em coberturas de shows, novo design, novas colunas sociais, etc. Impossível de o novo formato não chamar a atenção do leitor. E como precisaremos de muita propaganda, só me sobra mais trabalho - O que eu adoro - e, faz também com que a revista gaste todo capital que não possui. Então esse é o nosso próximo problema, ficaremos no vermelho assim que publicarmos o novo formato este mês, e eu tenho certeza disso.
- Bom, não era bem assim que eu gostaria de acordar numa quinta-feira - comentou, pegando seu paletó e sua gravata que estavam no chão, ao lado de sua poltrona.
- Esqueci que quintas são suas folgas. - Comentei calçando os sapatos.
- Como eu poderia esquecer se é tudo que eu mais quero? - disse.
Ri sem vida e me levantei para olhar o tempo lá fora. Sempre gostei de ver Nova York acordar da janela de meu escritório, costumava me dar uma sensação de dever cumprido, mas desta vez a sensação não veio. Esfreguei os olhos e bocejei de leve.
- Estou indo, quer carona? - perguntou, arrumando seus cabelos.
- Tudo bem... eu vou ficar aqui, esperar o pessoal chegar e conversar com e Richard, da contabilidade, para resolvermos logo toda essa confus..
- , você está maluca... Só se alimentou de café nas últimas quatro horas, não pode ficar aqui o dia todo e ir para casa lá pelas sete da noite e, se eu te conheço bem, ainda fazer hora extra.
- Se eu continuar tomando meus cafés expressos não vou sentir sono e vou trabalhar be... - Não terminei. Minha visão turvou e pude me ver caindo, mas logo os braços de me pegaram.
- Vamos logo, ... eu levo você - Ele sussurrou.
- Eu... estou de carro - Falei fechando os olhos com força para espantar a dor de cabeça.
- Teimosa... você não está em condições de dirigir.
Acho que dormi a quantidade que precisava. Não vi muita coisa no caminho até minha casa, só me lembro que acariciava minha mão vez ou outra para me confortar. E também acho que não tive pesadelos. Acho.
Rolei até o outro lado de minha cama, satisfeita, e abri meus olhos devagar. Uma forma se formou em meu campo de visão. ?
- Nunca mais faça isso comigo - O homem disse, sentando-se na beirada de minha cama. estava sem camisa e usando uma bermuda esporte branca. Segurava uma bandeja com frutas, pão e suco. Não pude deixar de sorrir ao vê-lo assim.
- Você, na minha casa desse jeito... - Comecei, segurando o riso - Parece que dormimos juntos..- Terminei e gargalhou.
- Engraçadinha....Agora coma logo alguma coisa antes que desmaie novamente.
- Mas, onde está o café de verdade?
- Não tem! - Ele respondeu, com uma risadinha. - Seu corpo deve estar pedindo isenção de cafeína.
- Dei muito trabalho? - Perguntei, depois de colocar uma uva em minha boca.
- Não...Só acordou gritando uma vez.
- Sério? - Então eu tive sim, pesadelos.
- Aham. E de resto, eu até que dormi bem.
- No meu sofá? Você está sendo modesto...
- Não. Dormi bem ao seu lado.
Sorri fraco. Então era ele me consolando a noite, era ele que eu abracei e era o travesseiro dele que eu agarrei? Deus!
- Não sabia que você tinha pesadelos frequentes...
- Pois é.. - Falei, desviando o olhar.
- Como você faz...
- Com os pesadelos? - Perguntei, colocando a bandeja de lado.
- Sim.
- Eu tento dormir novamente, vejo televisão, uso o celular, me agarro em alguma almofada ou passo a noite em claro.
- ... - disse chegando mais perto e acarciando meu rosto. Sorri. - Você é maravilhosa, precisa de tempo para você. É a mulher mais incrível que eu já conheci. - Pisquei duas vezes. Desde quando meu chefe começou a falar tudo tão abertamente comigo? Apenas agradeci e fiz que sim com a cabeça, afirmando que era um amigo muito importante para mim.
- Chefe - Comecei, de forma irônica. - Como vou trabalhar hoje?
- Você não vai. Precisa descansar.
- Preciso isso, preciso aqui... - Comecei - E você precisa de deixar uma pilha de roupas aqui, não é? Não sou obrigada a te ver sem camisa todos os dias.
- Me desculpe, tinha até esquecido. Mas já que estamos os dois de folga hoje..
- O quê?
- Você vai fazer a mesma coisa que faço todas as quintas. - Não quero nem imaginar...
- Nós vamos correr no Central Park - Ele falou e eu ri imaginando o que eu teria que fazer.

Por fim, orientou que eu usasse roupas de corrida, e assim o fiz. Tomei um banho, escovei os dentes e coloquei minhas roupas. estava em minha cozinha, lavando a louça do café da manhã que ele mesmo havia preparado para mim.
- Como assim? Ganhei um empregado?
- Não exatamente - Ele respondeu e enxugou suas mãos. - Vamos? - Ele perguntou pegando suas chaves e seu celular.

SCENE 4

Chutei o ar em forma de protesto. Das três vezes em que apostamos corrida, ganhou duas e ainda acho que a vez em que eu ganhei, ele facilitara minha vitória.
- Isso não é justo - Falei, ainda um pouco ofegante, me sentando embaixo de uma árvore - Tenho vinte e três e estou me recuperando de um desmaio feio -exagerei- Não posso competir com você assim...
- Ah, vamos lá, ! Acho que você anda muito sedentária- comentou se sentando ao meu lado e logo sacodindo seus cabelos de um jeito bem sexy. " Qual é o meu problema? ", pensei e logo anulei todas as possibilidades de achá-lo no mínimo atraente...
- Sou uma mulher sem tempo... - Justifiquei, desviando meu olhar do dele.
- Nem me fale em trabalho... mas vamos combinar?
- Ai meu Deus, combinar o quê? - Perguntei, enrolando meus cabelos, também suados, em um coque.
- Todas as quintas, vamos correr aqui, tudo bem? - Ele estendeu a mão para que eu pegasse.
- , quintas são suas folgas, não minhas.
- Não seja por isso, resolvemos isso amanhã.
- , não seja estúpido. A revista não está nada boa, não pode me dar folgas assim.
- Passo um para uma boa revista: investir na qualidade de vida de meus empregados, para que trabalhem melhor.
- Você não.. - Fui interrompido pelo toque do meu celular
- Acho melhor atender - disse meio sem jeito, se virando de lado.
- Alô? - Perguntei meio receosa.
- ! Aonde você está?- perguntou afobada.
- - Sussurrei para e logo depois me levantei.
- O que aconteceu?
- O que aconteceu? Você ainda pergunta? A Gossip não sobrevive um dia sem você!
- Mas terá. As quintas-feiras são minhas folgas, a partir de hoje.
- Como assim folga?
- Folgas, do latim " dia livre ", que deriva do grego " sem trabalho ". Beijos querida! -
Ri assim que notei a cara de para mim.
- Você é cruel!
- Eu diria perversa...
- E, eu não sabia das derivações da palavra folga.
- Vivendo e aprendendo, querido chefe.
- Vejo que levou essa coisa a sério mesmo.
- O que foi? Vai tirar de mim agora que estou começando a gostar? - perguntei vendo se levantar.
- Você vai amar as quintas-feiras...- Ele começou e quando vi, eu já estava fora do chão, sendo carregada por ele - A partir de hoje

's voice

Liguei para a principal buscando saber aonde ela está. Na verdade eu gostaria de sair hoje mas sem ela e sem supervisão. E terá que ser assim todas as quintas. O que eu fiz para merecer?. Ela fora meio rude comigo ao telefone mas decidi tirar por menos.
Tentei rabiscar algumas capas para a nova revista em um caderno enquanto ouvia duas garotas da redação conversarem.
- e são as mais espertas dessa revista. - A ruiva começou e a loira riu.
- Ah, é óbvio! Elas trataram logo de fisgar o segundo patrão! - A loira completou com risinhos irritantes."
- Olha.. - Me intrometi na conversa- Vocês sã tão insignificantes nessa revista que eu poderia demiti-las. Mais uma prova disso é que nem sei o nome de vocês... mas sei o que vocês deveriam estar fazendo e, adivinha? Trabalhando! - Falei, e as fofoqueiras sairam dali.
Continuei a pensar em mais algumas coisas para a revista quando recebi uma ligação de um número desconhecido.
- Alô? - Perguntei, com interesse.
- ? - Uma voz feminina disse e eu estranhei.
- Ela mesmo, com quem falo?
- Angela Guess, editora chef...
- Da Public! eu sei, o que você quer?
-Calma, quero tratar de negócios com você.
- Você telefonou para o número errado.
- Não ficará tão nervosa assim depois que souber da proposta que tenho a lhe fazer.
- Onde podemos nos encontrar? - Perguntei, curiosa, apesar de tudo.
- No restaurante Garders, às duas. Tudo bem?
- Perfeito - Falei antes de finalizar a ligação.
Coloquei mu celular de lado e esfreguei as mãos, ansiosa para a hora do almoço.

'S VOICE

- Tudo bem... Que tal no Gardens? - sugeriu assim que paramos no semáforo.
- Hmmmm - Hesitei. - Eu não sei, estamos nojentos demais para um lugar como o Gardens. Que tal virarmos a direita e irmos ao drive trhu do Burger King e comermos em sua casa?
- Feito. - concordou virando a direita.

O lugar estava meio vazio, devido o dia da semana. Fizemos nossos pedidos e fez questão de pedir as maiores porções para mim, dizendo que eu precisava "me recuperar".
- De que adianta correr e depois se entupir de batatas? - Questionei logo depois de pegar uma na embalagem.
- É a minha dieta, pode crer que funciona.
Ri de leve.
- Que foi? - Ele perguntou. - Se não funcionasse, minha cara , eu não estaria com esse meu maravilhoso porte físico.
- "Maravilhoso porte físico"? - Repeti, rindo sarcasticamente.
não tinha um maravilhoso porte físico. Na verdade, tinha sim.
- Chegamos. - Ele anunciou, desligando seu carro que estava parado em frente a sua casa bege, na alta 27th Avenue.
- Acho que já vim aqui antes... - Comentei, assim que ele abriu a porta.
- Sim, acho que antes da morte de .- O silêncio tomou nossa conversa por alguns momentos e depois desfarçou: - Vou pegar uns pratos.
- Costuma comer muito em fast foods? - Perguntei, me sentando em um banquinho que estava próximo a uma bancada usada como mesa.
- Quase sempre, até porque, cozinha não é o meu forte. - pousou gentilmente o prato em minha frente.
- Bom, então você precisa aprender comigo!
- Ah, por favor! Nem comer direito você come!
- Que afronta! Eu tenho muitos dons, só não faço uso.
- Ah, é? Que outros dons você têm além da culinéria, posso saber? - O homem me perguntou, sentando-se ao meu lado.
- Ah... A paquera por exemplo, é meu dom nato. Só não tenho oportunidade de usá-lo.

'S VOICE

- Bom - Comecei, colocando minha bolsa na cadeira do lado. - Espero que seja breve.
- Boa tarde para você também, .
- Vamos lá, Guess. Diga logo.
- Quero que assine um contrato com a Public!.
- Mas estou em serviço na Gossip, sinto muito, não posso.
- Quem liga?
- Como assim, "quem liga"? Do que se trata o contrato?
- Você elabora os designs mais lindos que já vi. Não merece tão pouco reconhecimento..
- Quer que eu assine para a sua revista?
- Uma honra, não é?
- Não necessariamente.
- Olha, . Serei bem direta. A Gossip está falindo e todos sabem. Eu vou apenas facilitar esse processo e pegar os melhores para minha revista antes que caiam nas mãos de outros editores.
- E quanto ao meu trabalho lá?
- Você permanece lá, ganhando um salário que - eu suponho não ser muito-, e também ganhando o salário da Public!. Negócio fechado? - Angella estendeu sua mão.
- Fechado.
Vamos ver se segura mais essa.

SCENE 5

'S VOICE

- Hmmmm, paquera? - perguntou.
- Exatamente.
- Porquê não usa esse dom, então?
- Não tenho oportunidades, já falei.
- Uma mulher como você? - perguntou, receoso.
- Os homens hoje em dia morrem de medo de mulheres independentes e inteligentes como eu. - Comentei, girando meu banquinho para ficar de frente para .
me encarava. Seus olhos me encaravam, sua boca - que antes em uma linha fina, formava um sorriso - agora estava sem expressão.
- Eu acho bem sexy. - disse ainda me encarando, fazendo com que eu desviasse meu olhar do seu, com vergonha. Porque aquilo estava mexendo comigo? Estávamos brincando, é claro que não havia nada sério ali.
- Jura?
- U-hum.
- Você é um dos poucos. - Falei, soltando meus cabelos.
- Viu?
- Viu o quê?
- Agora você está usando.
- Usando o quê?
- O seu dom da paquera.
- Eu não estava te paquerando, .- Falei rindo.
- Estava sim, e devia fazer mais vezes.
- O que você está dizendo? - Perguntei, me aproximando.
- Que você tem mesmo o dom.
Uma pequena pausa e rimos juntos.
- Me desculpe. - foi o primeiro a dizer.
- Não foi nada. - Falei, rindo logo depois.
- Foi sim, eu te deixei sem graça mas no fundo, eu falei sério. Você é linda, precisa usar isso mais vezes.. eu quase me encantei, funciona!
- Nossa, isso foi muito delicado! Onde está o da paquera?
- Quer ele de volta?
- Você deveria fazer isso mais vezes.
- Está repetindo minhas falas?
- Chega de falar. - Sussurrei para ele e selei nossos lábios.
Seja lá quantas personalidades eu tenha, e qual delas foi a escolhida; eu apenas tive a sensação de ter feito a coisa certa. puxava os cabelos de minha nuca enquanto eu segurava seu pescoço. O beijo violento e rápido me deixava sem fôlego e sem saber que direção tomar. Suas mãos passeavam por meus cabelos, costas e pescoço e eu o puxava cada vez mais para mim.
Minhas mãos alcançaram a barra de seu moletom e, ao invés de tirá-lo, rapidamente coloquei minhas mãos por dentro dele, podendo sentir seu abdômen definido. Assim que comecei, se permitiu parar o beijo para sorrir, fazendo com que seu hálito quente fosse de encontro ao meu rosto. Antes que eu pudesse pensar no que fazer, senti suas mãos em minha cintura fazendo com que eu me sentasse na bancada fria de sua cozinha.
Os beijos quentes de desciam por meu pescoço me causando arrepios, então eu o parei:
- É melhor....- Respirei fundo - Pararmos por aqui. Obrigada pelo "lanche". - Falei, descendo sem jeito da bacanda e lhe dando um beijo no rosto.
***

Sexta-feira. Um dos melhores dias. Não por ser véspera de um final de semana, mas por ser véspera de impressão. Nas sextas, toda a revistra trabalha em prol de finalizar a edição e as colunas, podendo enviar o modelo da revista para a gráfica, que realiza a impressão no sábado, logo de manhã cedo.
Fui até o banheiro e escovei os dentes logo depois de me dar uma boa olhada no espelho. Hoje, especialmente hoje, eu havia acordado otimista. Os pesadelos da noite passada me renderam boas marcas de cansaço.
" Estava com meus pais em nossa propriedade em Wisconsin, nós conversávamos e ríamos animadamente, como nos velhos tempos quando minha mãe me chamou e disse:
- , que tal pegar a cesta de frutas que sua esquecida mãe deixou para trás, em algumas daquelas árvores? - Ela disse e eu prontamente me levantei.
Adentrei as árvores procurando a tal cesta de frutas que minha mãe havia colhido logo pela manhã. Andei mais um pouco e ouvi chamarem meu nome. Apesar de conhecida, a voz não era de minha mãe, muito menos de meu pai. Mas era masculina.
" Eu sei que você anda se escondendo por aí". Ouvi, assustada e me afastei. " Não adianta fugir, você sabe que estou aqui, sabe que vivo em você"
"
Fechei os olhos com força e me despi, desejando que a água fria levasse todos os maus pensamentos embora. Eu precisaria realmente ser otimista hoje, afinal, ainda não dirigi uma única palavra a depois que nos agarramos em sua casa. Sem perceber, sorri ao lembrar da cena. Desliguei o chuvero depois de alguns minutos e me enxuguei. Abri o guarda-roupa com a toalha enrolada em meu corpo; estava prestes a começar a maratona matinal denominada " O que eu vou vestir hoje", quando ouvi meu celular tocar.
- Alô?
- Bom dia, Srta .
- Pamella! Bom dia.
- A Srta já está a caminho?
- Praticamente.
- Ah, sim. O doutor gostaria de falar com a Srta assim que chegasse.
- Eu, que antes olhava alguns cabides, com o celular no ouvido, agora parei. O quê ele queria comigo?
- Pode deixar.- Falei, desligando o telefone. Não é minha cara fugir dos problemas mas, dou tudo para ter uma reunião ultra importante e eu não ter motivo algum para sequer cruzar com em algum corredor.
Optei por uma calça preta de cintura alta, uma blusa social de cor clara e um sapato bege. Peguei minha bolsa, os papeis da revista, meu celular e saí. O dia seria realmente cheio.
***

- Bom dia, bom dia. - Cumprimentei todos da redação assim que cheiguei e ouvi murmurinhos do tipo: "hoje ela está de bom humor, que milagre." Sorri de lado e resolvi ignorar. Cheguei em minha sala e me deparei com a mesma bagunça de sempre; papeis, artigos, marcadores de texto, bloquinhos de nota...tudo espalhado. Decidi deixar a bagunça para depois e liguei meu computador com a ponta de meu sapato. Enquanto esperava o sistema, peguei um café e meu celular. De repente me deu ânimo de ir ao quarto andar falar com , e assim o fiz.
- Como assim não está? - Perguntei a Angel, sua assistente, assim que cheguei no departamento de design.
- Me desculpe Srta mas a Srta avisou a todos que à partir de hoje só viria na parte da tarde.
- E quanto a mim e ?
- Ela disse que já havia conversado com vocês.
Mentirosa. Cerrei os olhos e preferi não fazer alarde. Tudo que não queremos nesse momento é que nossos funcionários fiquem desunidos.
- Ah, claro! Que cabeça a minha. Tenha um bom dia, Angel.
- Para você também!
. Saí em direção ao elevador. Danem-se os beijos preciso conversar com o . Apertei sem parar o botão do elevador para o sétimo andar ainda tendo que responder a alguns subordinados que não paravam de me cumprimentar com falsos: " Bom dia Srta ", "Tenha um bom dia, ". O otimismo já foi para o espaço...estou sentindo.
Abri a porta sem bater e vi sorrir.
- Sem essa , precisamos conversar. Sbore trabalho.
- Olha, me desculpe por onte...
- Prometo que depois da impressão nós podemos falar sobre...nós. - Falei, colocando meu café sobre a mesa e enrolando meus cabelos em um coque.
- Como quiser. Mas, o que te enfureceu assim, pela manhã? Logo você, , que possui um ótimo humor pelas manhãs.
- .
- Vocês brigaram?
- Não.
- Então qual o porque do estresse? - Ele perguntou, enconstando-se em sua cadeira e afrouxando sua gravata com seu jeito sexy.
- Ela avisou a equipe de designers que à partir de hoje só comparece no turno vespertino.
- O quê?
- O pior.... Disse que já havia conversado com nós dois e que ambos haviam concordado. Pela sua expressão, ela não disse nada a respeito com você.
- Não mesmo.. precisamos chamá-la em particular para que nada afete nossos funcionários.
- Aposto que tem alguma coisa relacionada com minhas folgas às quintas-feiras.
- Também acho. Creio que ela está misturando o pessoal com o profissional.
- Bom. - Falei me levantando - Não é só ela que mistura as coisas por aqui.
- O que você disse?
- Tenha um bom dia, . - Disse, saindo de sua sala. Ainda tenho muito a fazer.
***

- O que precisamos é de capital. - Richard, o diretor financeiro, disse ajeitando sua gravata.
Estávamos todos em minha sala; todos digo eu, , e Richard; decidindo a situação da revista.
- Que no caso, nós não temos.- Comentei.
- De fato, não. Essa última impressão deixará a revista no vermelho logo, logo. São muitos gastos e pouco retorno.
- Não tem jeito, nos esforçamos demais e nada aconteceu, fim da linha. - disse e eu franzi as sobrancelhas olhando para .
- Não é bem assim, vamos ser otimistas.
- Me desculpe, senhor , mas otimismo nunca salvou emprego algum. - Richard comentou e eu bufei alto.
- Bom, já deu por hoje. Richard, você está liberado, muito obrigada. - Falei, recostando em minha cadeira. já iria se levantar quando eu continuei. - você fica. - Falei de uma vez olhando em meu relógio. Já eram dez da noite, mais uma noite perdida, não que eu ligue. Se chegar em casa à meia noite não conseguirei mais dormir.
- Você sabe do que se trata. - disse. - Como você pôde criar seus próprios horários?
- Me impuseram um compromisso todas as manhãs. - Ela disse, como se não fosse nada demais.
- Mais imortante que seu trabalho?
- Ah, ! Você é a última que aparece todos os dias por aqui.
- O quê?
- Você parece mais sócia do que diretora de marketing e propaganda. Entra e sai a hora que quiser, trabalha como quer.
- Por favor, . Eu sou o chefe, se tivesse reclamações a fazer sobre digo diretamente a ela. E por ela ser uma funcionária competente e de extrema confiança, dou sim liberdade para fazer o que bem entender dentro desta revista. E apesar de "sair a hora que bem entender", ela me apresenta resultados, e ninguém da redação e de todo o resto da equipe um dia se queixou. - disse e eu não pude conter o sorriso. - Tudo bem, já deu. - disse, se levantando e saindo da sala.
- Podemos conversar? - perguntou e eu sorri de lado.
- Olha, , muito obrigado pelos elogios mas sei muito bem quais assuntos que tratar comigo. E eu já lhe disse, amanhã conversamos eu preciso de uma boa noite de sono. Quer carona?
- Tudo bem, estou de carro. E, com relação a , de dou toda a liberdade para resolver este assunto como bem entender. Boa noite.
A caminho de casa pensei um pouco. Eu realmente não queria fazê-lo esperar, mas a revista estava passando por maus bocados e essa última impressão será a única esperança. e nosso enrolo aparentemente sem importância pode esperar.
Ao chegar em casa, tomei um longo banhoe um café quente. Massageei as têmporas sentada em minha poltrona e desejei que tudo desse certo amanhã. Depois de terminar o café, deixei a caneca na pia e fui me deitar. Me ajeitei entre os travesseiros e fechei os olhos.
" sorria para mim enquanto conversávamos embaixo de uma árvore de um parque perto daqui. Eu estava deitada em seu colo, rindo de seu comentário anterior quando ouvi algo/alguém me chamar, e esse alguém não era , que agora estava sério, olhando apreensivo para os lados.
Senti uma pancada em minha cabeça ao ser puxada do colo de . Uma figura masculina com olhos me arrastava para longe enquanto eu ouvia chamar meu nome."

***

Depois de tomar um banho, decidi me vestir com uma calça jeans e blusa regata. Escolhi tambem uma sapatilha e óculos escuros, já que o sol começava a nascer na cidade. Peguei uma maçã na geladeira e sai de casa apenas com as chaves e meu celular.
No trãnsito, pedi algumas vezes para que tudo desse certo hoje. Logo já estava na gráfica, que não era perto dali mas, hoje era sábado, então o trânsito matinal era quase que inexistente.
- Bom dia. - Disse, assim que encontrei , que sorriu.
- Espero que seja! Você está muito bonita hoje, . - me elogiou e eu sorri em forma de agradecimento.
- Só nós dois?
- Parece que sim...
- Bom, então podemos começar?
- Claro - autorizou.
A revista havia ficado magnífica, fora um dos melhores trabbalhos de última hora que já fizemos, agora é só rezar para que as pessoas gostem.

SCENE 6

Acordei com o barulho de meu telefone. Esfreguei os olhos e olhie o visor: . Mas que diabos ele poderia querer comigo na madrugada de sábado para domingo? Espero que não seja nada sobre nós. - Alô?
- Oi, , desculpe atrapalhar seu sono mas, precisa vir até a revista.
- O que aconteceu?
- Recebemos as pesquisas de público.
- Estou indo aí.
- Estou em minha sala.
- Tudo bem, chego em meia hora.

Levantei da cama com má vontade e me espreguicei. Escovei os dentes, lavei o rosto e decidi colocar um moletom comum e uma leggin. Assim que cheguei na revista, todas as luzes estavam apagadas então tive de acender a do corredor que leva até a rdação. estava sozinho em sua sala, girando em sua cadeira. Entrei e o vi se virar, ficando de frente para mim.
- Nove por cento de público. - Ele sussurrou e eu me sentei, incrédula.
- O que vamos fazer? - Perguntei, com sinceridade. Estávamos perdidos.
- Eu já tomei minha decisão.
- O que você vai fazer?
- Preciso ficar sozinho.- Ele murmurou, virando-se de costas para mim.
- Não me chamou aqui, a essa hora simplesmente para dizer isso, não é?
- Quero conversar com você.
- O que houve? - Perguntei, preocupada. não era assim tão calado, muito menos cabisbaixo. A revista estava mal sim, e eu até entendo, porque nós vamos ter que cortar um dobrado para reergue-la, e deve ser horrível ver todo seu esforço de anos se tornar poeira, apenas por causa de um pedaço de papel.
- Mudando de ideia....acho melhor você ir embora, .
- Não...- murmurei.
- Conversamos amanhã.
Me levantei e saí da sala. Não que eu estivesse satisfeita, muito pelo contrário, mas entendi que precisava realmente de alguns momentos sozinhos. Então resolvi voltar para minha casa, minha cama e meu sono.
***

Eram sete e meia da noite de segunda-feira. Estava na revista, depois de um longo dia de trabalho, chequei se precisariam de mim, e por um milagre, não. Ajeitei alguns papeis em minha mesa e desliguei meu computador. Quando me levantei para pegar minha bolsa, vi bater no vidro, do lado de fora de minha sala e sorri.
- Já estava de saída? - Ele perguntou, entrando.
- Ah, sim.. quer que eu faça mais alguma coisa?
- Não eu... quero conversar com você.
- Ah, ! Essa história de novo? Olha eu preciso ir para minha casa, estou cheia de papei..
- Me desculpa por ontem a noite?
- Tudo bem, você estava estressado...
- Quero conversar sobre nós. - Ele disse, vindo até mim.
- Olha eu...
- Na verdade, eu preciso me desculpar por ter te beijado.
- Mas, eu que te agarrei. - Admiti, rindo.
- Tudo bem, já que você disse.... - Ele falou depois de uma risada marota.
- Eu sinto muito...
- Não sinta. Escute, eu quero que aconteça. - disse, pegando em minha mão.
- , minha intenção nunca foi te magoar, mas a revista...
- Você só se preocupa com a revista, . Não que você esteja errada, mas estou te pedindo uma chance....
- Então vamos pelo menos...deixar acontecer? - Hesitei. Era cedo demais para tudo isso.
- Deixar acontecer.. - repetiu baixinho e logo depois sorriu. Deu um beijo calmo em minhas bochechas e saiu de minha sala, me deixando completamente pensativa.

Eu estava completamente exausta. Havia revisado vários textos, pensado em milhares de soluções para a revista, e meus neurônios estavam queimando, literalmente. Ouvi o telefone de minha mesa tocar e atendi, com a voz arrastada. Ao desligar, afastei-me de minha mesa e dei um longo suspiro. convocara uma reunião de emergência. Adoro meu chefe, mas quando ele irá perceber que reuniões não darão em nada, se não tivermos de fato uma solução?
Assumi meu devido lugar ao lado de e bebi um gole de água, colocada ali recentemente. Estranhei o fato de todos os funcionários estarem nesta reunião, o que raramente acontecia.
- Boa tarde. - disse, assim que todos se acomodaram. - Como todos sabem, nossa última impressão não foi lá um tremendo sucesso. - Ele falou e uma onda de murmurinhos tomou conta do ambiente. Pigarriei e olhei para meu chefe, que sorriu de lado, continuando: - E para piorar, a nossa concorrente, a revista Public! atingiu seu recorde de vendas. - Ele finalizou e eu estremeci. Era realmente tudo que nós precisávamos. Falência é o que nos espera, e todos naquela mesa sabiam disso, e temiam ser demitidos. O pior de tudo é que todo esse peso caía exatamente....sob meus ombros.
- Então decidi que a revista irá..dar um tempo.- continuou com seu pronunciamento e, mais uma vez, todos começaram a expor sua opinião ao mesmo tempo.
- Posso ter a palavra? - Perguntei, sem saber ao certo o que falar. - Todos terão seus salários mantidos durante o período de recesso. - Falei por fim, fazendo cessar a corrente de murmúrios. Era com isso que todos estavam preocupados, e no fundo, eu também estava. Desde sempre trabalhei nesta revista, meu currículo não é amplo, não tenho requisitos para outro emprego, eu só tenho a Gossip; preciso salvar o meu emprego e o de todos aqui. - Assim que voltarmos ao trabalho - Continuei. - Iremos chamá-los novamente e, caso isso não venha a acontecer (Porquê de fato existe essa possibilidade) vamos reccomendá-los aos melhores editores.
- Estão liberados.- disse e eu bufei.
As pessoas saíam da sala de reuniões em fileiras e eu me levantei, com o copo de água em mãos. Não adiantaria muito ficar aqui depois do expediente, sendo que não há mais trabalho algum. Então resolvi ir para a casa.
Depois de horas rolando em minha cama, senti meu celular vibrar, embaixo de meu travesseiro. Era uma mensagem de .
", a TMZ já noticiou a "falência" de nossa revista. E como já era de se esperar, Chuck Lorre e toda sua redação fizeram piada de nós em rede nacional. O que faremos? Alguém já repassou esta informação, estamos perdidos!"
Apertei o travesseiro contra meu rosto com vontade de gritar. Mas será possível? Quem fez isso?

SCENE 7

- Eu acho mesmo que nós devíamos nos demitir. - disse ao telefone. Eram duas e meia da tarde e eu estava em minha cnfortável poltrona, assustada com as palavras de minha melhor amiga que, insistia para que nós saíssemos da revista.
- Desculpe mas, não posso fazer isso com
- Claro que pode, você age como se fosse escrava dele!
-Escrava?
- Claro, esse é o termo que te define, . "Pegue isso.." "Faça isso.." Só falta fazer o trabalho da faxineira naquela revista, .
- Você não fala coisa com coisa, .
- Falo sim, e pro seu bem.
- Tudo bem, quer se demitir? Eu assino os papéis.
- Foi o tempo que você sabi conversar, .
- E foi o tempo que eu conhecia você.
- Falei, desligando o telefone. Mas que bela merda, hein? havia mudado totalmente comigo. Estava fria, distante. Bem diferente daquela pessoa bem-humorada, motivada.. Talvez ela esteja até procurando outro trabalho. Mas não, ela não seria capaz de fazer isso.
Ouvi a campainha tocar e me levantei depressa. Achei que era o porteiro, porque realmente não ouvi o interfone tocar. Sorri ao ver .
- Oi! - Falei, espantada. - Entre...
- Desculpe atrapalhar. - Ele disse, entrando. usava uma calça jeans, blusa branca, tênis nike e jaqueta de couro. O mais engraçado é que nunca tinha o visto de óculos antes. E ele ficava absolutamente perfeito. Ao mesmo tempo que procurava alguma resposta decente e admirava-o, ainda encontrei tempo para sentir vergonha de mim mesma, afinal, eu estava completamente a vontade; estava em minha casa, apenas de blusa regata cinza, shorts jeans e chinelos. - Já almoçou? - Ele perguntou, arrumando os cabelos e eu estava prestes a responder quando ele continuou: - Sem querer ser indelicado, é claro.
Ri de leve e respondi que sim, já havia almoçado e que não havia problema algum com sua pergunta.
- Então, vim aqui para te levar ao Battery Park. Que tal? - perguntou e sorri.
- Jura? Eu nunca fui até lá! - Falei, bem feliz.
- Como assim nunca, ? Você mora a vinte minutos do melhor parque para se ir em dias nublados! Vamos lá, eu te espero...- Ele disse, me empurrando para meu quarto.
- Mas eu nem respondi se vou ou não! - Falei em protesto.
- E quem se importa, eu não aceitaria um não como resposta mesmo! - disse, brincalhão e nós demos risada.
O Battery Park era famoso pelo seu clima romântico, já foi cenário de muitos clipes, e mesmo à vinte minutos de mim, nunca o conheci. Eu e estávamos de mãos dadas, vagando pelo parque e observando a paisagem.
- Então, porque necessariamente esse parque? - Perguntei, curiosa.
- Esse lugar é especial porque, na verdade, meu pai me trasia aqui quando eu ficava de castigo.
- De castigo? Queria um castigo assim também quando era pequena.
riu e continuou:
- Meu pai achava esse lugar um lugar calmo e sossegado, já que é um dos parques que quase não atrai turistas, or incrível que pareça. Ele tinha a certeza de que aqui, eu poderia refletir tudo que havia feito de errado etc...
- Sei que é difícil falar de sue pai. - Falei, afagando os ombros de e enterrando minha cabeça em seu pescoço.
- Não tanto quando só tenho boas recordações. Mas, voltando ao assunto.. Trouxe você aqui porque, assim como o lugar, você é linda e especial. - disse, ficando de frente para mim.
- Você não existe! - Falei, sorridente. O homem olhava fixamente para mim e então eu o abracei, logo depois de beijar seu rosto, sentindo todo seu perfume amadeirado. Eu não tenho saída. Não posso magoar esse homem, simplesmente não posso.
- Eu existo sim, e estou te pedindo uma chance para ficarmos juntos. - Nossos rostos estavam muito próximos e nossa respiração uníssona, então como resposta, selei nossos lábios. Sua língua explorava calmamente a minha boca enquanto a minha percorria um caminho já conhecido por ela. Suas mãos apertavam firme minha cintura enquanto eu me permiti brincar com os fios de seu cabelo. O hálito quente de atingiu meu rosto quando ele se permitiu sorrir.
- Vamos. - Ele falou, sorridente, enquanto pegava em minha mão. - Ainda quero que conheça vários lugares hoje.

No final do dia, cheguei em casa totalmente cançada. Eu e fomos à varios lugares. Fomos no Rockefeller Center, Times Square, e ele ainda queria me levar a uma peça na Broadway, mas eu recusei.
Tomei um banho quente, uma xícara de chá, escovei os dentes e me deitei.

SCENE 8

Logo que eu entrei em casa e joguei minhas coisas no sofá, ouvi meu telefone tocar. Meu pai nunca me ligava então por esse motivo, atendi animada. Papai parecia afobado e muito nervoso ao telefone. "O que houve,pai?", perguntei logo de uma vez. "Eu matei", ele disse com dificuldades e eu fiquei sem entender. "Eu matei a sua mãe." Ele disse muito abalado e eu me sentei, gélida.
Levantei tão rápido da cama que senti minha visão turvar. As lágrimas, pelo visto, não ficaram só no pesadelo; elas também molharam o meu rosto na vida real.
Hoje era quinta-feira. O sol não brilhava em Nova York a alguns dias e hoje não foi muito diferente. Dei uma olhada no visor de meu celular e não havia nada. Nem , nem , muito menos Sabrina. Então era isso. As pessoas me deixaram realmente em paz. Mas, o que eu vou fazer com tanto tempo só para mim?
Bufei alto e fui até ao banheiro. Lembrando-me da data, tomei um banho gelado e vesti um moletom braznco qualquer, uma calça de ginástica preta, meus tênis de corrida e prendi meus cabelos em um rabo de cavalo alto. Esscovei os dentes e peguei uma maçã em minha geladeira. Peguei também meu cellular e os fones de ouvido. Tranquei a casa e saí para ver se o tempo passava depressa, literalmente.

Eu realmente quero me entregar aos momentos que passo com , mas eu realmente não consigo. Não que eu não goste dele mas, me lembra a Gossip, e a Gossip agora só me faz pensar que eu tenho de arrumar outro emprego. Nem a melhor das pessoas consegue beijar na boca sabendo que não têm dinheiro para pagar a conta de luz do mês seguinte. O.k, talvez eu tenha exagerado um pouco...
é um cara maravilhoso, e parece realmente se preocupar comigo, minha última intenção é magoá-lo.
O Central Park estava vazio, apenas com alguns turistas em um lugar ou outro. Comprei uma garrafinha d'água e decidi correr mais um pouquinho, já que meu relógio marcava nove e meia da manhã.
- !- Ouvi chamarem por mim e me virei. usava uma camisa regata branca, shorts esporte e tênis de corrida.
Sorri e fiz sinal para que ele viesse correr ao meu lado. "", disse uma vozinha em minha cabeça, "Esse não é seu chefe, esqueça o trabalho e beije na boca desse homem!". Ri sozinha com meu pensamento estúpido depois de cumprimentar .
- Anda praticando sem mim? - Ele perguntou e eu dei risada.
- Pelo visto não sou a única.
- Achei que estivesse na Gossip.
Na Gossip?
- O que eu estaria fazendo lá?
suspirou e olhou para as árvores do outro lado, tirando seus olhos dos meus.
- Desculpa é que, ...Você quase nunca têm tempo para você. - falou, parecendo meio desapontado.
- Estava pensando sobre isso agora pouco..
- Você concorda? - perguntou, desfarçando o espanto.
- Sim, mas isso está realmente me fazendo mal. As noites em claro, a má alimentação..
- Muito bem, então. - pegou em minha mão e eu sorri.
- Por falar em noite de sono, como foi a sua? - Perguntei.
- O trabalho também a atrapalha um pouco. E o seu nome também está nessa lista.
- Que lista?
- Das coisas que tiram o meu sono. - disse e eu o olhei. Nós já havíamos parado de correr e não estávamos mais tão suados assim. fez uma careta como se estivesse perguntando o que fez de errado, e ele já ia fazê-lo quando eu o beijei. Meus olhos s efecharam e eu não pude analizar mais seu rosto. Seus lábios eram um convite aberto aos meus. Suas mãos passeavam por meu corpo me deixando com cada vez mais certeza que aquele homem me faria perder o chão, o emprego, o caráter, tudo.
E eu não estava nem aí.
Depois que cheguei em casa, tomei um banho rápido e vesti uma calça jeans, blusa regata e uma sapatilha preta. Minha mãe, Brooke, me convidara para almoçar lá porque segundo ela acontecerá um "convite irrecusável". Espero mesmo que seja algo desse tipo porque estou morta de saudades de minha família e troco tudo em dois tempos para alguns dias com eles.
Em vinte minutos de carro cheguei a casa de meus pais, no Brooklyn. Minhas lembranças da última vinda até aqui não são das melhores, então decidi ignorar e respirar fundo. Tranquei o carro e subi as escadas da casa de Brooke.
Mamãe abriu a porta antes mesmo que eu tocasse a campainha, sorridente como nunc, usando um vestido florido e um avental de cozinha; com os dizeres escritos com letras garrafais:"Mulher na cozinha não é o mesmo que no volante!"
- !
- Mamãe! - Falei, depois de um forte abraço. Eu era muito apegada aos meus pais, só que ultimamente, tenho até esquecido que eles estão tão perto de mim.
- Vamos, querida; Entre! - Ela disse e assim o fiz.
- Onde está o papai? - Perguntei, ansioso para vê-lo também.
- No escritório, aonde mais? Agora ele está com uma nova paranóia de que vai morrer e está adiantando seu testamento! - Ela falou, com um certo deboche.
O cheiro de charutos cubanos já tomava conta do ambiente e eu tossi.
- Se continuar fumando assim, é bem capaz. - Falei.
- ....
Revirei os olhos e bati duas vezes em sua porta.
- Oh, minha garotinha! - Papai disse assim que eu entrei.
Sorrindo, ele largou o charuto e se levantou com dificuldade.
- Como você está, senhor Christian? - Perguntei e ele riu.
- Ah, minha executiva...estou ótimo! - Ele se sentou novamente, depois de me dar um abraço apertado.
- Manias de novo? - Comentei, pegando alguns de seus papeis em cima da mesa.
- Só acho que minha hora está chegando, filha.
- Não fale bobagens, papai. Acho que o senhor deveria se cuidar mais.
- Como?
- Olha, não vamos falar disso, tudo bem? - Papai assentiu e eu sorri. - E o senhor e a mamãe, como estão?
- Muito bem, minha filha. Você mais do que ninguém sabe que nós não brigamos muito. - Sorri ao lembrar de minha infância tranquila e feliz. - E você meu anjinho? Como anda o trabalho?
- Pai, a revista vai de mal a pior.
- Jura? - Mamãe perguntou, entrando no escritório. - Mas podemos falar nisso na mesa do almoço? Fiz batatas gratinadas...
- Batatas gratinadas? - Indaguei. - Meu prato predileto!
- Então vamos! - Papai e mamãe disseram juntos e eu dei uma risadinha.

Cheguei em casa feliz e um pouco cansada. Minha mãe me chamara para passar alguns dias com ela e papai em Wisconsin. Partimos amanhã às oito. São quatorze horas de viagem, eupretendo dirigir, mas conheço meu pai. Ele com toda certeza teimará em ficar.
Tirei meus sapatos e deitei em meu sofá depois de ligar a tecê. Nada de bom passava na programação então decidi desligar e tirar uma soneca.

Não sei de quanto tempo fora meu cochilo mas acordei com o barulho de meu celular.
- Alô?- Falei, me ajeitando em meu sofá.
- Oi !- Era . - Como você está?
- Bem, e você?
- Ótimo! Como fora a tarde com seus pais?
- Ele perguntou, parecendo interessado, o que me agradou.
- Fora muito boa! Estou um pouco cansada mas fora isso...
- Ah..
- Ele disse, parecendo desapontado e por algum tempo nosso assunto sumiu.
- Me ligou por algum motivo especial? Está tudo bem com você?- Perguntei.
- Nada eu só..queria que saísse comigo. Um amigo meu é músico e, vai tocar em um pub hoje. Gostaria que fosse, se não estiver muito cansada, é claro!
- É claro que saio com você, !
- Bom, então... te pego às dez?
- Combinado!
- Falei, antes de finalizar a ligação.
Joguei meu telefone de lado e fiquei um bom tepo parada, analizando a situação. Nós nunca saíamos e, talvez seja por isso que eu esteja me sentindo um pouco estranha. Eu não fazia a mínima ideis do que usar.
Pubs não estão na lista de lugares que eu frequente assíduamente, muito menos acompanhada. Acendi novamente o visor de meu celular cujo relógio marcava nove horas.
Tomei um banho quente e escovei meus dentes. Qinze minutos foram apenas para decidir se deixava meus cabelos soltos ou fazia um penteado qualquer. Bufei alto em frente ao espelho." Você está agindo como se tivesse treze anos, !", pensei e então deicidi encarar esse "encontro" como uma situação absolutamente normal. Optei por deixar meu cabelo solto, usar calças jeans pretras skinny, sapatilha, blusa regata branca com os dizeres: "let him go" e jaqueta de couro.
Para me livrar da ansiedade liguei a televisão. A reprise de Grey's Anatomy já iria começar quando ouço meu interfone tocar. Desliguei-a e falei para que já estava descendo.
estava parado em frente ao seu carro olhando para cima. Usava calças jeans, tênis e uma blusa verde por debaixo de seu moletom, que o deixava extremamente lindo;>br> - Oi.- Falei, parando em sua frente.
- Você está linda! - Ele disse, logo depois de me dar um beijo na bochecha.
O mais engraçado era que, eu e já havíamos nos beijado várias outras vezes, mas sempre que nos víamos era como se voltássemos à estaca zero.
Durante o curto percurso, conversamos sobre nossos gostos musicais.
- Chegamos, . - disse assim que entramos no estacionamento do local.
Enquanto andávamos até a entrada, pegou em minha mão e me olhou, receoso, como se pedisse autorização para fazê-lo. Sorri como resposta e perguntei se ele costumava frequenatr o local.
- Bom, foi aqui que eu conheci e... - "Ah, não!", pensei. - Vinha muito aqui quando saía da faculdade.
- Não se importava de dirigir da Statside até aqui?
- Para ficar bêbado com meus amigos eu nunca me importei. - Ele disse rindo e eu fiz o mesmo.
Assim que entramos no tal pub, consegui entender porque ele era tão especial. O lugar possuía fraca iluminação, apenas uma luz para casa mesa, o que me agradou. No pequeno palco, uma banda fazia um cover de This Shit Getz old, uma de minhas músicas prediletas.
- Esse pub não costuma ser assim todos os dias. - comentou, assim que nos sentamos.
- Como ele costuma ser, então? - Perguntei, curiosa, colocando meu celular sob a mesa e apoiando meus cotovelos na mesma.
- Bom, hoje é quinta-feira, então ele têm esse clima mais calminho...mas já a meia noite, a música alta e eletrônica começa.
- Prefiro ele calmo assim. - Declarei, olhando em volta.
- Eu disse que ia amar as quintas-feiras. Vamos beber alguma coisa?
- Ah, claro!
- O que vai querer?
- Lemon Coke, por favor.
- Ah, não ! Pelo menos uma cerveja!
- Está afim de me embebedar. ?
- Não! Longe de mim! Eu só nunca vi você bebendo nada além de café e suco.
- Tudo bem, duas cervejas então!
***

Depois de algum tempo e algumas cervejas, a banda que estava no palco havia saído e a música eletrônica começava a tocar, fazendo com que as pessoas se levantassem e tomassem o lugar.
- Vamos dançar, ! - me chamou e eu fui, rindo.
A música tocada agora era "Work bitch", parecia gostar mesmo daquilo então pegou em minha mão para colar nossos corpos, que se movimentavam juntos na batida da música.
Soltei-me de e dancei um pouco sozinha, podendo sentir seu olhar percorrer todo meu corpo. Sem esperar muito consegui o que queria e, senti seus braços me envolverem novamente.
- Você me provoca. - sussurrou em meu ouvido e eu soltei um risinho. - Me faz pensar em coisas que eu nunca havia pensado, mesmo sem dizer uma palavra. Só pelo jeito que você olha para mim.
Beijei seu pescoço como resposta para aquilo e logo depois o beijei na boca. Nosso beijo não era mais romântico como os outros, pelo contrário, era desejo puro. Nossa sincronia não estava tão perfeita assim, fazendo com que eu quisesse beijá-lo por horas. Suas mãos passeavam por minhas costas fazendo com que eu tentasse o impossível: Colasse ainda mais nossos corpos. Minhas mãos foram para nuca e os braços de , arranhando-os de leve.
A música mudou e, nós continuamos dançando, com nossos olhares entregando tudo que nos recusávamos a dizer.

Maybe im afraid of the way i love you

Maybe im amazed at the way you pulled me out of time

And hung me on a line.

Mybe im amazed at the way i really need you.

"Vamos sair daqui", ouvi sussurrar e puxei-o pelo braço.
Chegamos a casa de e eu subi as escadas correndo. Mesmo nunca ter sequer visto o segundo andar, e estar tudo escuro, decidi brincar.
- ? - perguntou, subindo as escadas. - , cadê você? - Ele estava no hall, e eu, no quarto de hóspedes.
- Duvido que me ache, . - O desafiei.
entrou em seu quarto e eu entrei atrás. A janela de vidro mostrava um pouco de sua sombra e decidi ficar oposto a ele, do outro lado da cama.
- Estou bem aqui. - Falei, baixinho.
- No mesmo cômodo que eu? - perguntou e eu ri.
- Sim.
veio até o outro lado, esbarrando em algumas coisas e xingando baixo. não enxergava, e por isso veio com tudo pra cima de mim, fazendo com que eu caísse por baixo dele, em sua cama. Soltei um gemido.
"Achei você", sussurrou, maliciosamente e eu selei nossos lábios.
Nos livramos rapidamente de nossos sapatos e voltamos a nos beijar. segurou firmemente em minha cintura enquanto me levava ao meio da cama, me fazendo arfar com seus beijos depositados em todo meu corpo. Soltei minhas mãos de seu cabelo para me livrar de minha jaqueta quando fui impedida por ele, que acendeu a luz de seu abajour, na mesa de cabeceira.
- O que foi? - Perguntei, ofegante.
- Quero ver você. - Ele disse, me dando um selinho e tirando minha jaqueta devagar.

's VOICE.

- Chefe... - ouvi a voz da mulher chamar-me bem perto do ouvido.
puxou sua camisa branca para cima, mostrando o seu sutiã. Não tirava aquele maldito sorriso do rosto. tocou minhas pernas com sua mão gelada assim que inverteu nossas posições.
- O que é esse sorrisinho? - perguntei entredentes, mordendo seu queixo.
- Você vai descobrir... - ela disse entre suspiros. - e vai ser agora.
No mesmo instante em que ouvi a sua voz destemida, parei de mordê-la. Seus olhos haviam perdido a razão, nem precisei provocá-la a ponto de perder a sanidade. Puxei-a para mais perto possível, a ponto de selar nossos lábios e beijei-a com um ímpeto de delírio. Sua boca estava veloz, esperta. Minhas mãos tiravam seu sutiã enquanto ela já havia deixado a minha calça aos meus pés. Por falta de ar, larguei seus lábios; esses já estavam levemente avermelhados. Novamente aquele sorrisinho.
desceu com beijos e chupões pelo meu tronco, arranhando-me com suas unhas afiadas. Então o motivo do sorrisinho era uma vingança? Ela também queria me arrancar a sanidade?
Sua língua era quente demais se comparada ao meu tronco; aquelas unhas afiadas faziam o trajeto certo para que eu me contorcesse e até risse - eram meus centímetros de loucura. O ar soltava-se com ruídos da minha boca, era inevitável.
De repente, senti suas unhas afiadas na região pélvica, minha boxer cinza sendo arrancada do corpo; fechei os olhos, prevendo o que estava por vir. Obviamente já estava mais do que excitado, não precisava de muito para me deixar de tal modo. Eu ia colocar minha mão no pênis ereto, mas recebi um belo tapa.
- Sai. - ela disse - É meu. - sorriu.
E foi a minha vez de sorrir. Fechei os olhos e coloquei as duas mãos seguras sobre os lençóis, esperando que ela fizesse alguma coisa. Primeiro foram as mãos em seus movimentos frenéticos e repetitivos; me masturbava de jeito novo, inovador para mim. - não - muito melhor. Ela o fazia com uma maestria invejável, deliciosa e... indescritível. Realmente indescritível fora quando senti sua língua quente rodear a glânde e, novamente, quando sua boca praticamente engoliu meu pênis.
O gemido fora tão alto, senti-me como cão no cio. Ela era muito boa no que fazia. Era o seu nome que saía da minha boca, descontroladamente.
Abri um dos olhos levemente para vê-la. Com uma das mãos segurava meu pênis, na base; com a outra arranhava o meu abdômen; e com a boca - aquela boca veloz e esperta - sugava, lambia e brincava com meu membro.
Eu estava jogado ao deleite, exposto ao delírio contínuo. O sangue que deveria bombear meu cérebro e manter a sanidade se mantinha no membro inferior - na "cabeça de baixo" - e eu me via incontrolável. Coloquei uma das mãos nos cabelos da nuca de e passei a guiá-la em seus movimentos. Minha outra mão puxava com força o lençol da cama, não era exatamente algo que eu, , estava fazendo; mas sim a mão de , entenda.
Meu corpo estava implodindo e eu sentia o gozo por vir. Puxei para o lado, como um aviso. Ela pareceu compreender, mas isso não a fez parar, apenas fazê-lo mais lentamente, numa tortura impossível.
- Louca, louca... - proferia as palavras com dificuldade - mais rápido.
Seus olhos se levantaram, ela retirou sua boca do meu membro e lambeu-o.
- Implore. - maldito sorriso.
- Por favor. - eu pedi. Ela lambeu mais uma vez, da base ao topo, negando.
- Por favor, por favor, por fa...
Abocanhou-o novamente e voltou com os movimentos rápidos, mais um gemido alto da minha parte. Quando sentiu o gozo por vir, ela pôs de vez o membro em sua garganta, deixando o líquido branco descer por ali. Fechei os olhos com força para sentir mais minuciosamente aquilo, aquela sensação. No momento em que os abri, ela já estava na minha frente, lambendo os beiços.
- Oi chefinho.- ela disse, tomando ar.
- Oi - foi tudo que consegui dizer, estava eras mais ofegante que ela.
Ainda assim beijei-a com intensidade, mordendo seus lábios, sugando-os. Coloquei-a por baixo do meu corpo e passei e me deliciar com seu pescoço, descendo então para o seu maravilhoso colo e seios.
Colo e seios de mulher jovem, lisos, bem feitos. Tinham um verdadeiro toque de perfeição ao não serem nem tão grandes, nem tão pequenos. Extremamente macios. Depositei beijos ao redor dos mamilos e passei a língua ali, delineando-os.
Com as mãos, puxava sua calça para baixo, sendo obrigado a descer mais ainda no seu corpo esguio. Tirei a parte de baixo do seu conjunto íntimo duo cromático, puxando pelas pernas. Ela tinha seus olhos fixos nos meus, com intensidade irrevogável. Sorrindo maroto, abri suas pernas, deparando-me com sua intimidade úmida.
- É minha. - falei com minha voz o mais grossa possível. Senti-a se arrepiar apenas com o meu tom e rir baixinho, uma risada infantil.
- Vá em frente. - ergueu uma das sobrancelhas.
Sorri novamente antes de sucumbir a um objetivo: proporcionar prazer à minha .
Suguei-a, penetrei-a levemente com a língua; segurava-a pelas coxas e glúteos, ela já não se tinha nos campos da razão. Meu nome era pronunciado diversas vezes e intercalado com meu apelido, daquele jeito que apenas ela me chamava "Chefe, chefe...", no tom da insanidade. Logo me pus a provocá-la com mais intensidade, pressionando a vulva com dois dedos e penetrando. Mais gemidos, de ambas as partes. Estávamos insanos.
- , venha. Para mim. - ela pediu, sua voz rouca.
- Implore. - repeti exatamenteo que ela disse antes, numa vingança quase que imediata. Ela sorriu; sorriu aquele sorriso perverso, e balançou a cabeça negativamente.
- Chefe - chamou novamente, mordendo o lábio inferior e sorrindo - Come.into.me. - ela disse pausadamente. Quantas vezes amaldiçoei esse sorriso?
Aos poucos deitei por cima dela, abrindo ainda mais as suas peras, e me posicionando. Olhei diretamente em seus olhos. Não mais demonstravam luxúria, mas sim confusão. Como pode mudar da água para o vinho em questão de minutos?
Peguei um preservativo na mesa de cabeceira. Rasguei-o com os dentes e rapidamente me afastei para colocá-lo. Novamente me deitei por cima da minha namorada, posicionado para penetrá-la; ajeitei seus cabelos pelo rosto, retirando-os dali.
- Apenas minha. - sussurrei em seu ouvido antes de começar a conjuntura. Penetrei-a com cuidado e maestria, sentindo-a tencionar os músculos da vagina. Ela se fazia tão concentrada quanto eu. Colei nossos narizes, deixando que as respirações pairassem entre nossas bocas. Alisei seus lábios com minha língua, sentindo-a puxar o meu inferior para uma mordida leve.
Minhas investidas eram lentas, profundas. também fazia movimentos para o encaixe, fazendo-nos sentir mais prazer. Todavia, depois da fúria animal que tivemos no começo do sexo, agora tudo parecia mais romântico, mais íntimo.
Mudamos novamente de posição.
Com aquele jeito de guiarmos um ao outro telepaticamente - ela dizia que era telepático, para mim era a prova de que éramos encaixes - ficamos ambos sentados sobre a cama.
Suas pernas, molhadas de suor, rodeavam meu quadril, mas faziam pouca força; eu a tinha no meu colo, a centímetros de uma segunda penetração. Coloquei minhas mãos em sua cintura, apertando-a; seu rosto aproximou-se do meu, nossos narizes roçaram. E então eu senti seu corpo relaxar sobre o meu, em mais um vislumbre de prazer e - acreditem - amor.

SCENE 9

Eu ainda não podia acreditar no acontecido da noite passada. é maravilhoso. Agora fica impossível de esconder que temos algo. Mesmo que esse "algo" seja só sexo. Até porque não consigo perceber o que sinto por ele.
Ri com a possibilidade de estar remotamente apaixonada por aquele homem enquanto descia as escadas. Eu estava agora na cozinha, pronta para pegar o café feito quase que instantaneamente pela cafeiteira, e levar para . Falando sério, estar apaixonada por ele seria completamente ridículo. Subi com as duas canecas prontas e entreguei uma a , que parecia pensativo.
Puxei um travesseiro para mim e me sentei em sua frente.
- O que houve? - Perguntei, preocupada.
- Eu venho pensando...- começou mas não terminou; em vez disso selou nossos lábios me fazendo sorrir.
- Eu sei que não é uma boa hora para falar de trabalho. - Ele disse, colocando uma mecha de meu cabelo para trás de minha orelha. - Mas quero reformar a revista...
- Nós já tentamos isso...
- Não desse jeito. Quero dar outro nome, outra metodologia, outro foco, criar uma revista totalmente diferente; sob a nossa direção.
- Você disse nossa direção?
- Sim. - concordou assim que deixou sua caneca de lado.
- Essa não é mesmo uma boa hora para falar disso.
- Qual é, !
- se for para criar uma outra revista eu prefiro continuar com meu cargo...
- Você será minha gerente de marketing, além de gerente geral. Agora mais do que nunca, , tudo passará por suas mãos.
Soltei uma pequena risada debochada.
- nós não temos dinheiro para isso. Muito menos um nome..- Falei, um pouco irritada. Eram só seis e meia da manhã e eu já estava perdendo a paciência, Deus!
- eu acho que tudo isso eh relativo e..
- Eu...não quero...brigar...com você...- Falei entre beijos.
Em pouco tempo já estávamos deitados novamente nos olhando. As mãos de passeavam por meus cabelos enquanto as minhas alisavam a barra de seu lençol.
- Eu não entendo. - começou enquanto eu o observava. Seus olhos brilhavam com a luz fraca que entrava pelas cortinas entreabertas. - Você faz com que eu me sinta que é a minha primeira vez sempre que nos encontramos. - completou, sorrindo.
Puxei-o para um beijo calmo, entregue de ambas as partes. Era maravilhosa a sensação que provocava em mim.
- Tenho que ir... - sussurrei, antes que me beijasse de novo.
- Você não vai a lugar algum. - Ele disse, autoritário, me fazendo rir.
- É sério. - Falei me levantando. - Vou para Wisconsin com meus pais hoje.- Conclui, terminando de abotoar meus jeans.
- Tudo bem...não quer tomar um banho?
- Não, faço isso em casa. Obrigada.
- Quer que eu te leve para casa?
- Não precisa, pego um taxi. - Falei. Por mais que nós tivéssemos passado a noite juntos, eu estava confusa. Ele ainda era meu chefe e, não quero que nenhum de nós dois saia decepcionado no fim da história toda.
- . - falou, segurando meu braço. - Quantas vezes eu tenho que repetir que eu quero que isso aconteça? Você não é qualquer vadia que sai do meu quarto pela manhã. Você é especial, me deixe te levar.
- Tudo bem.. - sussurrei, puxando-o para um abraço.
***

- Você não está com fome? - perguntou.
Nós estévamos em minha casa, decidiu ficar por lá mesmo, me fazendo companhia.
- Não, anjo. Ainda vou comer muito nesses últimos dias.- Brinquei.
- Imagino. Seus pais vão vir que horas?
- Daqui a pouco. - Respondi olhando o cisor de meu celular.
Abri meu armário e optei por usar um short jeans preto, devido o clima ameno, e uma blusa de mangas compridas vermelha. Meus cabelos estavam molhados e somente a toalha estava sobre meu corpo.
- Quer ajuda com isso? - sussurrou em meu ouvido e eu dei risada.
- É claro que eu aceito. -Falei, jogando em seu ombro a pilha de roubas já separadas, que eu colocaria na mochila.,br> - Você é impossível. - Ele comentou se sentando em minha cama, de frente para mim.
- Me dá aquele sutiã ali. - Apontei para o sutiã branco do outro lado de minha cama.
- Vai mesmo fazer isso comigo?
- Estou atrasada, . - Falei, fingindo estar impaciente.
abriu um sorriso malicioso e me entregou o sutiã. Deixei minha toalha cair assim que peguei-o de sua mão. Estava só de roupas íntimas quando me puxou para cima dele, selando nossos lábios com pressa.
- ...- Ele sussurrou em meu ouvido enquanto apertava meu corpo contra o seu, me fazendo soltar um gemido. - Não faça isso comigo nunca mais.- completou, invertendo as posições e saindo de cima de mim.
Era engraçado como havia conseguido me deixar exitada e logo depois caiu fora. E eu ainda provoquei. Bufei indignada e terminei de me vestir. Joguei o que faltava na mochila e calcei uma sapatilha qualquer assim que ouvi a buzina lá embaixo.
- Leve isto. - disse, pegando seu ray ban preto que estava sobre a mesa de centro.
- Não vai nem fazer sol. - Retruquei.
- Quero que lembre de mim. - disse logo depois de selar nossos lábios.
Tranquei toda a casa e desci com minha mochila sendo carregada por .
Mamãe e papai estavam com o carro desligado a minha espera, e papai já estava do lado de fora, pronto para colocar minhas bagagens no porta-malas.
- Oi, mãe! - Cumprimentei-a com um beijo em suas bochechas. - Oi, pai! Não preciso disso, só tenho uma mochila! - Falei assim que abracei o homem. Olhei para trás e vi que observava de longe.
- Quem é o belo rapaz? - Minha mãe perguntou, abaixando mais seu vidro.
Fiz sinal para que se aproximasse.
- Mãe, pai, o "belo rapaz" é .
- Olá sr e sra ! Sou o namorado de sua filha, caso ela não tenha falado nada sobre.
Sorri amarelo e lancei um olhar para . Namorado?
- Namorado? - Mamãe e papai perguntaram juntos e eu ri fraco.
- Vou ter muito tempo para explicar no caminho.
Me virei para e puxei-o para um abraço. " Adorei o que fez lá no quarto, mas quando voltar, farei melhor. E, namorados?" Sussurrei em seu ouvido o fazendo rir.
me deu um rápido selinho e eu entrei no carro. Namorados... era só essa que me faltava.

SCENE 10
"Dancin' around the lies we tell, dancin' big eyes as well" (Lorde - Team)
No primeiro período da viagem, quando ninguém estava cansado, nós cantarolamos, brincamos, contamos piada e conversamos sobre todos os assuntos; como nos velhos tempos. Eu havia me oferecido para dirigir mas papai insistia em ficar, o que resultava em uma viagem de quatorze horas à sessenta quilômetros.
- Pelo que me parece, só faltam algumas horas. - Comentei, colocando os óculos escuros de , já que o sol teimava em bater em meu rosto naquele ponto do trajeto.
- Sim. - Brooke concordou e eu olhei para fora. Era realmente muito bom estar ali.
- ..- Meu pai começou.
- Sim?
- Sabia que convenci sua mãe a contratar um caseiro? - Christian disse, sorrindo vitorioso.
Minha mãe detestava caseiros. Se o emprego deles dependesse dela, os pobres coitados passariam fome.
- Como conseguiu amolecer o coração da dona Brooke? - Perguntei, curiosa.
- Bem, nós queríamos que você viesse, então..
- E desde quando a casa precisa estar em ordem para mim?
- Filha, desde que não temos notícias de sua mãe decidiu não contratar mais um caseiro para a casa de Wisconsin. - Papai falou e eu estranhei a familiaridade do nome.
- Quem é mesmo? - Perguntei, só para matar a curiosidade.
- Como assim quem é ? Eu já lhe contei essa história mil vezes, ! - Minha mãe falou, um pouco irritada.
- Me desculpe, eu não lembro! - Falei com a voz subindo uma oitava. O único que apareceu em minha vida fora o . E esse, bom, esse eu prefiro esquecer.
- Eu conto a ela, Brooke. - Meu pai disse afagando a coxa de minha mãe com a mão livre.
Mas que diabos está acontecendo?
- Minha filha, quando você era bem pequenina e sua mãe ainda trabalhava para a assistência social, ela conheceu um rapaz.
- Um rapaz? - Balbuciei em voz baixa. Será que minha mãe havia traído meu pai?
"Não viaja!", uma vozinha soou em minha cabeça respondendo a pergunta anterior, me fazendo revirar os olhos.
- Sim, ele estava entrando na adolescência e era bastante ambicioso. - Mamãe completou, inspirando.
- O pobre garoto tinha problemas na família e sua mãe o acolheu em nossa casa.
- Cuidei-o como se fosse filho e, um dia, ele decidiu se virar sozinho. Mas sempre mantendo o contato conosco.
- Ele realmente demonstrava um carinho enorme por nós. - Papai finalizou, com o olhar perdido em algum lugar.
- E aonde ele está agora, afinal? Se ele é tão importante assim quero conhecê-lo. - Falei.
- Ele está morto. - Mamãe disse, tristonha, e eu arregalei os olhos. - E você já o conhece, por sinal.
- Tenho certeza que não. - Falei irritada.
- Minha filha, lhe deu o emprego na revista. Ele era seu chefe, nosso . - Brooke disse e eu joguei minhas costas com força no banco de trás. Como assim nosso ? O homem que smepre me detestou é considerado filho por minha mãe? Eu nunca odiei tanto uma pessoa como ele, nunca fiz nada tão grave como a que fiz por ele, e este homem era simplesmente meu irmão de consideração?
- Sofri muito com a perda. - Mamãe completou e pude sentir meus olhos queimarem.
Eu não iria chorar, não poderia. Mas simplesmente tudo que tenho vontade de fazer ao ouvir o nome de é chorar. Chorar, gritar. De arrependimento, talvez? Ou por um ódio que ainda está presente em mim de certa forma. Aonde eu estava com a cabeça ao pensar que cometendo aquela estupidez eu resolveria todos os meus problemas?
Deitei no banco, encolhida, e fechei os olhos. Senti uma ou duas lágrimas escorrerem por minhas bochechas e limpei o rosto. Isso mal começou e eu já quero que acabe.

- Chegamos, acho melhor você ir se deitar em sua cama. - Ouvi mamãe falar assim que abriu uma das portas traseiras.
- Ah, sim. - Falei, devagar.
Eram exatas vinte e duas horas, o horário previsto para que chegássemos. Tiramos as bagagens do carro e fomos dormir.

As dores eram tão fortes que me incomodavam. Era como se um caminhão tivesse passado por cima de mim. Decidi então descer e pegar um copo d'água, por mais que fosse uma garotinha, tinha certeza de que minha mãe não gostaria nada nada de se levantar apenas para fazer mais um de meus caprichos. Coloquei meus pés para fora da cama e deslizei para dentro de minhas pantufas de gatinho. Deixando a porta de meu quarto encostada, andei até a escada, sem fazer barulho. Parei para olhar para baixo. Não tinha total certeza se estava disposta a descer no escuro, somente para beber um copo d'água. Apenas a luz da porta, do lado de fora, estava acesa.
Senti, de repente, mãos fortes em minhas costas, me empurrando escada abaixo. Não tinha noção do barulho, muito menos de quem poderia ter feito aquilo. Se meu corpo já doía antes, agora ele estava entorpecido. Mesmo com oito anos de idade, sabia que ninguém daquela casa seria capaz de me fazer rolar escada abaixo.
Com dificuldades, dores e lágrimas nos olhos olhei para cima, e lá estava a resposta para a pergunta anterior. Mamãe e papai não teriam tal coragem, mas ele sim. .

Um grito saiu de minha garganta me fazendo levantar da cama, ofegante. "De novo não", pensei.
- Até quando..- murmurei. - Até quando, até quando... Até quando!- Foi a vez do grito. - Mas que droga! - Falei baixinho assim que ouvi a batida em minha porta. As lágrimas já estavam por todo meu rosto, molharam o travesseiro, atravessaram o pesadelo. E atravessou-o junto com elas.
- ?- Ouvi minha mãe perguntar e autorizei que entrasse. - O que houve?
- Pesadelo. - Falei, puxando minhas cobertas.
- O que tinha no seu pesadelo? - Brooke perguntou, angelical, enquanto acariciava meus cabelos.
Ficamos alguns minutos em silêncio. O olhar de minha mãe, sua expressão cansada e velha. A raiz branca de seu cabelo, a marca de sua idade em seus olhos. As palavras ditas no carro girando em minha cabeça. Eu simplesmente não conseguia pronunciar alguma coisa ou emitir qualquer som, a não ser o de meu choro.
- Me desculpa?- Perguntei, baixinho.
- Mas o que você fez, meu anjo? - A mulher perguntou, me fazendo chorar mais. Eu não poderia contar, se contasse, seria a forma instantânea para arruinar tudo, tudo.
- Eu..eu amo você. Você é tudo para mim, me desculpa. Eu não sou essa filha maravilhosa. Não sou perfeita.
- Eu sei que não, ninguém é. Mas você é a melhor filha do mundo para mim. Venha me dar um abraço. - Ela disse, me puxando pela mão.
- , acorda! - Brooke disse, me sacodindo. - Você está melhor? - Ela perguntou assim que eu me virei.
- Sim, estou. Que horas são?
- Nove. Ainda não tomou seu café e não viu a enorme piscina que seu pai colocou quando reformamos.
- Piscina? - Perguntei, confusa. - Reforma?
- Ponha seu biquíni, temos muito que conversar. - Ela disse antes de sair do quarto.
Como assim biquíni? Eu não trouxe nenhum biquíni. Me levantei esfregando os olhos e abri uma porta de meu pequeno armário, onde eu costumava guardar minhas roupas quando passávamos temporadas aqui. E lá estava meu biquíni preto. Sorri de lado e peguei-o, indo em direção ao banheiro.
Saí de lá e fui direto para a piscina, no jardim.
- Isso tudo é saudades? - Ouvi meu pai perguntar, de longe, e me virei. - Nem sol está fazendo.
- Está um mormaço! - Respondi por responder e me sentei na beirada. O sol aparecia entre algumas nuvens em Wisconsin, provocando um calor tanto quanto incômodo. Decidi mergulhar. Meu cabelo tinha sido lavado ontem e já estou molhando-o de novo.
Nadei até a borda novamente e peguei o ray ban de . Joguei meu corpo para trás de forma que eu boiasse.
Naquele momento eu não me sentia inteira. Sentia que faltava algo. Talvez isso fosse sintoma de algum arrependimento, ou até mesmo tédio.
Minutos depois, meu pensamento tomou outro rumo. O rumo em direção a . Me peguei pensando em nós dois, nossos desencontros, e encontros também.,br> Namorados... Humpf. Até que a palavra não soava tão aterrorizante assim quando se tratava de .
- Moça? - Ouvi uma voz masculina e saí de meu tranze, quase me afogando. O rapaz, que possuía olhos castanhos e cabelos dourados, estava parado na no jardim, a uma certa distância de mim. - Te assustei?
- Não foi nada..- Falei, ajeitando meus cabelos. - Me desculpe mas, eu conheço você?
- Eu sou Gregory. - Ele disse, se aproximando da borda. - Só gostaria de saber se estou liberado.
- Porque está perguntando isso à mim?
- Você é filha de Christian, certo? - O rapaz perguntou fazendo com que eu me espantasse.
- Sim. - Respondi, receosa.
- Sou o caseiro. Estou...dispensado?
O caseiro. Nadei até a borda e me apoiei para sair da piscina. Senti seu olhar percorrer meu corpo e decidi pegar depressa minha toalha, enrolando-a em mim.
- Acho que sim, vou falar com mamãe.
-Mamãe.- O homem murmurou segurando o riso e eu revirei os olhos.
Saí do jardim na ponta dos pés para não molhar tudo e ainda por cima levar um tombo.
Brooke não estava na cozinha, nem em seu quarto. Então decidi que quanto antes esse tal de Gregory fosse embora, melhor.
- Está dispensado, muito obrigada. - Falei para o homem assim que o vi.
- Eu que agradeço.- Gregory disse, dando uma piscadela e se virando em direção ao portão. Humpf.
Assim que entrei em casa novamente, mamãe estava na cozinha e papai estava vibrando com os Lakers.
- Papai está em tempo de ter um infarte...- Sussurrei para minha mãe, que riu logo em seguida.
- Ande, Christian; vamos almoçar. - Mamãe disse assim que desligou a telivisão, fazendo meu pai resmungar:
- Deus tenha minha falecida mãe, mas você está ficando pior que ela, Brooke!
***

Depois de almoçar, ajudar minha mãe com as louças e tomar um banho, fui até meu quarto e peguei meu celular.
Sorri ao ver uma mensagem de :
"Aproveitando a viagem? Wisconsin é meu estado predileto, sabia?! Já estou com saudades..."
Digitei rapidamente a resposta:
" Mas você é grudento mesmo! Precisamos conversar sobre o termo "namorados" assim que eu chegar, haha! Mil beijos.
- Filha? - Ouvi a voz de meu pai e guardei o celular. - Está no quarto?
- Sim, pode entrar.
- Papai gostaria de te ensinar uma prática que passou de geração em geração.
- E qual seria ela?- Perguntei, interessada.
- Vou lhe ensinar a atirar. - Ele disse, sorridente e eu cerrei os olhos. Atirar?
- Atirar? E quando eu vou precisar atirar, papai?
- Eu não sei minha filha querida, mas é melhor previnir, vamos lá fora. - Ele disse animado e eu o segui.
Papai pegou seu revólver e colocou em minhas mãos. O material pesado e frio fez com que um arrepio corresse por mim.
- Quero que acerte aquela árvore. É só mirar e apertar o gatilho.
Fiz que sim com a cabeça e mirei no centro da árvore. Minhas mãos apertaram o gatilho e o barulho do tiro ecoou no ambiente. Barulho que ecoou em minha cabeça por meses. O impacto e a força da bala fizeram com que meu corpo fosse para trás. Vi de relance meu pai boquiaberto. Logo Christian já estava do lado da árvore, a analizando.
- O que houve, pai? - Perguntei, com um tom de voz elevado, devido a distância.
- Você acertou o centro da árvore, !
Sorri, vitoriosa.
- Já atirou antes, filha? - Meu pai perguntou e eu arregalei os olhos, sem saber ao certo o que responder.

SCENE 11
"Lies, livin' in a fantasy, we don't know reality. Ehen you start talkin' I stop walkin', lies lies lies." (McFly - Lies)
Segunda-feira. Senti até um certo enjoo por pensar que eu deveria levantar e ir até a revista, mas esta sensação foi vencida pelo prazer de lembrar que posso ficar mais tempo na cama.
O fim de semana com meus pais foi cansativo e cheio de surpresas. A historinha cheia de solidariedade, exemplo e amor contada por meus pais ainda está entalada em minha garganta. Estou começando a acreditar que nada me fará aceitar toda essa confusão.
Mais estranho que isso só as aulas de tiro ao alvo dadas por meu pai. E que eu, milagrosamente, fui muito bem. A novidade é que quando ele me perguntara se já havia feito isso antes eu simplesmente fiquei sem respostas, soltando um "não" baixinho de minha garganta.
Eram dez da manhã. Depois de fazer minha higiene matinal e arrumar a cama, decidi que neste período de "recesso", vou tratar de todos os meus assuntos pendentes - Nos quais eu não tinha tempo quando estava trabalhando -, como por exemplo realizar as tarefas domésticas. Meu apartamento esta um completo caos.
***

Depois de limpar todo meu apartamento, faltavam ainda as compras. Então fui até meu quarto para trocar de roupa. Optei por minha calça skinny jeans azul escuro,botas de cano curto e blusa de manga comprida branca.
Assim que terminei de colocar minhas compras no caixa, senti meu celular vibrar no bolso direito de meu jeans.
- !
- Preciso que esteja na revista em meia hora!
- Precisa mesmo, anjo? Você bem que podia me por à par dos assuntos e me livrar desta...
- ....
- Por favor...
- Queria que ficasse sabendo com todo mundo mas, vou botar aquela minha ideia em prática.
- , você têm certeza?
- Sim, e vou adorar se você estiver ao meu lado para me apoiar.
- Não posso ir até aí. Estou no supermercados. Preciso terminar de arrumar minha casa.
- Por favor, ...você nunca negou trabalho!
- Olha só quem eu encontrei aqui...
- O quê? ...
- Tenho que ir, beijos!
- Falei depressa desligando o celular. O carro de havia acabado de passar por mim.
Joguei o resto das compras de qualquer jeito no porta-malas e bati a porta do carro com força, desejando que não estivesse muito longe. Isso mesmo, eu ia segui-la.
dobrou a principal avenida de Nova York em direção ao prédio da revista, como era de se esperar.
Estacionei meu carro à uma certa distância e resolvi esperar até que saísse da tal reunião de emergência.
Olhei institivamente para os lados assim que ouvi a vibração de meu celular no painel do carro. Era uma mensagem de .
"Você não vem mesmo? Infelizmente não posso começar uma reunião de extrema importância sem minha diretora de marketing favorita! xx"
Suspirei alto e pensei um pouco.
Era melhor mesmo que meu cérebro esquecesse todo e qualquer tipo de paranoia contra , afinal eu precisava me concentrar em dar apoio à e seu projeto ultra-mega-perfeito-e-promissor de uma nova revista.
Cumprimentei Richard e que estavam pegando um café e fui até a sala de reuniõe para esperar por eles. Me sentei do lado de que fechou de abrupto a pasta em que estava mexendo.
- Analisando a concorrente? - Perguntei, assim que vi as iniciais Pub! em uma revista que estava dentro da pasta. hesitou.
- Bom, chamei vocês aqui porque quero exterminar a Gossip. - começou e eu revirei os olhos. Ele havia me interrompido.
- Isso vai nos fazer ficar sem emprego? - Richard perguntou e sorriu de lado.
- Não. A Gossip vai sempre ter um pedaço de em sua composição. A morte de meu melhor amigo é algo que luto todos os dias para esquecer, não quero um trabalho que me lembre todos os dias o quanto ele significava para mim. Quero algo meu. - terminou radiante. À tempos não via tão otimista assim.
- E este novo trabalho...têm nome?
- Bom, minha cara designer...Eu nunca gostei de fofoca, muito menos uma revista com este nome..
Todos riram.
- Se você disser o propósito dessa revista, nós podemos ajudar. - Falei.
- Quero uma revista que critique aquela musica nova sem acabar com o cantor, que faça piadinhas e trocadilhos direcionados aos fãs, aos artistas que esperavam que sua música fosse um estouro no top ten do iTunes mas isso tenha dado errado, quero participação do público, colunas que vejam o ponto técnico da música e outras totalmente opostas, que exponham uma opinião completamente absurda sobre aquele clipe novo. Quero trabalhadores bem-humorados, quero que toda a redação se dê bem, que todos sejam divertidos e que não haja uma hierarquia social, mas profissional, é claro.
- Quer uma revista sobre música? - perguntou, surpresa, e eu dei uma risadinha.
- Chega de famosos que vão para a reabilitação e de atrizes que dão gafes em premiações.
- E à partir daí podemos criar um nome. - Richard disse. Ultimamente ele não era só um diretor financeiro, mas quase que um membro assíduo do departamento de arte.
- Eu não sei...- Murmurei. Estava preparada para inventar nomes para revistas de fofoca, moda, mas não de música.
- new music? - Richard sugeriu e todos riram.
- Acho emlhor você continuar focado em suas planilhas. - brincou e Richard bufou alto.
- music attack?
- Ouch! Você pode ser bem criativa quando o assunto é desenhos, mas não em nomes..- Richard devolveu a piada e revirou os olhos.
Richard se voltou para alguns papéis em seu colo. enrolava uma mecha de seu cabelo, pensativa, enquanto batucava um ritmo qualquer em sua mesa.
Isso!
- !! - Exclamei, com a voz uma oitava maior.
- O quê?
- Você acabou de decidir o nome da nova revista. - Falei.
- Como assim eu só estava fazendo uma batid...
- beat.
O rosto de se iluminou. Ele se levantou, animado.
- Isso é...demais! Vocês concordam?
Larissa fez que sim e Richard murmurou um "é claro que sim".
- E...quando sai a beat?
- Bom, precisamos acabar totalmente com a Gossip, passar pelo processo da Public!...
- Nem me lembrava mais disso! - Exclamou Richard e eu soltei o ar pesadamente. Ele não era o único.
- Enfim...- Comecei, para que mudasse de assunto.
- Enfim, assim que acabarmos com isso, convoco vocês. Estão liberados.
Richard e agradeceram e saíram da sala, me deixando sozinha com meu chefe.
- Vamos ter um tempo para nós hoje? - Ele perguntou, estendendo a mão para que eu levantasse.
colou rapidamente nossos corpos e selou nossos lábios com pressa.
- Sim..- Falei, parindo o beijo. - Mas antes de voltar para cá, vou passar em minha sala para pegar uns papéis, pode ser?
- é-claro-que-pode. - me disse entre beijos.
Andava apressadamente até minha sala e parei de repente ao ver apoiada em uma das mesas da redação, falando ao telefone.
- Angella. por favor! Não seja tão maldosa!
- Angella? - Sussurrei para mim mesma socando o ar.
olhou para os lados apreensiva e eu corri para a sala de Larry - editor-cefe - que ficava ali do lado.
- Sim...infelizmente nao teremos mais e cia como nossos concorrentes. Parece que a beat é a nova aposta do mercado...Sim....temos que nos ver....vamos almoçar no triangle hoje, pode ser? te vejo lá....
jogou seu celular em sua bolsa e saiu, deixando para trás apenas os irritantes ecos de seus sapatos de salto colidindo no piso de vidro.
Esperei alguns minutos e saí atrás, dando um tapa proposital em minha testa por me lembrar de ter deixado esperando.
Chegando no Triangle, já estava em uma mesa, conversando animadamente com Angella.
- Posso lhe ajudar senhorita? - O recepcionista perguntou e eu revirei os olhos, temendo que me visse ali.
- Está vendo aquela menina ali? - Sussurrei enquanto apontava para a mesa da designer. - Ela é minha melhor amiga, e hoje é seu aniversário, vou fazer uma surpresa para ela, então não quero que saiba que estou aqui, tudo bem?
- Ahm, é claro! - O jovem assentiu. - Então procura uma mesa afastada e discreta?
- Exatamente.
- Pode se sentar naquela ali. - Ele me direcionou e eu agradeci.
Sentei-me na cadeira do canto, prestando atenção para ver se conseguia ouvir algo.
tirou alguns papéis da mesma pasta em que estava mexendo mais cedo e os colocou sob a mesa, despertando o interesse de Angella.
- Que ótimo trabalho, ! A próxima edição vai para as bancas depois de amanhã e, adivinhe? Seu nome já estará nela.- Angella acabou e ficou radiante.
Era isso mesmo que eu havia entendido?
- Esta revista é bem diferente da Gossip. É um prazer trabalhar para vocês, Guess. - Ela terminou e eu apoiei minha cabeça na mesa.
Mas será possível?
Senti meus olhos incharem. Peguei meu celular e digitei rapidamente uma mensagem para :
"Desculpe te deixar esperando, aconteceu algo muito importante, de verdade...Estou indo para sua casa, pode ser?"
Eu já sabia a resposta. É claro que poderia ser. Tinha que ser. é a única pessoa com quem posso dividir isso agora, até porque ele saberá o que fazer com .
Atordoada, levantei de minha mesa com dificuldades, evitando chamar qualquer tipo de atenção.
- A senhorita já vai e a sua amig...- O jovem não terminou, levantei o dedo do meio para ele e virei as costas, andando apressadamente até o meu carro.
Mas que droga. Além de tudo a casa de fica um pouco longe daqui. Revirei os olhos depois de bater a porta do carro, eu estava perdida.
Liguei o carro e saí cantando pneu até a casa de .
A verdade é que em meio ao trânsito, um engarrafamento de pensamentos se formava em meu cérebro.
Ela era minha amiga. Não sei se toda a questão se baseia nisso mas o ponto de partida é esse. Eu confiei nela.
Nunca fui muito de fazer amizades, sempre gostei de ter meu foco e meus objetivos. Na faculdade eu tinha poucos amigos e com os que eu tinha me juntava para beber às sextas em um barzinho tranquilo um pouco afastado do centro de Nova York. A falta de amigos é pura e simples desconfiança.
Isso não me faz anti-social, me faz seletiva. Eu não confio em qualquer um. Mas nela eu confiei. Nela eu acreditei.
E isso tudo não é o pior. O pior é que ficará tão chateado. E ao mesmo tempo preocupado por ter que contratar outra designer. - O que , apesar de tudo, faz muito bem.
Mas que diabos, a contratação de um novo funcionário não é problema seu!, disse uma vozinha em minha cabeça e eu soquei o volante com força assim que o semáforo chegou.
- Mas eu me preocupo! - Gritei.
Isso era inútil, tudo isso é inútil. Esse grande e imbecil envolvimento com meu chefe,essa perda repentina da ""melhor amiga", ser meia-irmã de ....
- Caralho! - Xinguei, lembrando-me de e pisando mais fundo no pedal do acelerador.
Não sabia mais se passava a marcha ou limpava as lágrimas que embaçavam minha visão.
Faltava muito para a casa de ?
Eu não sabia responder.
Como se já não bastasse tudo, mas que porra! A confusão estava completa! Um cara morto, uma melhor amiga piranha, um chefe perfeito que por um acaso é melhor amigo do cara morto e uma revista falida vulgo sem designer.
Só de pensar que eu me considerava uma mulher de sorte, com um apartamento bom em uma área valorisada em Nova York, um emprego dos sonhos fazendo o que eu gosto e um pai e uma mãe vivos. Era tudo que eu precisava.
Quanto tempo eu dormi para não ter visto minha vida desmoronar assim?
Eu queria acabar comigo, me socar, me matar. Mas nada disso adiantaria, eu só precisava segurar o choro e os pensamentos ruins mais um pouco até chegar à casa de...
Meu corpo chacoalhou e meu tronco inclinou-se para o banco do carona. Em seguida só ouvi várias buzinas e motoristas gritando algo do tipo "presta atenção para onde anda!" e "tira esse carro daí!".
Meu carro cinza derrapou e foi parar no acostamento, um pouco amassado - Eu acho.-
- Você está bem? Moça?- Um homem deu batidas no vidro do carro e eu me levantei, com dificuldades da posição que estava, ainda em choque com o impacto.
Ainda de olhos e nariz inchados, mãos molhadas e cabelo desarrumado.
- Oi...- Murmurei.
- Qual o seu problema você avançou o sinal e meu carro foi para cima do seu! - O homem disse e eu arregalei os olhos.
Avancei o sinal? Será possível que estava tão atordoada assim à ponto de ultrapassar o sinal sem eu mesma perceber?
O homem de olhos escuros falava qualquer coisa enquanto eu alternava o olhar entre ele, o lugar em que estava e meu carro. Que por sinal estava com a lateral completamente amassada.
- Você estava a mais de oita quilômetros por hora, eu tenho certeza! - O homem finalizou exclamando e eu me assustei.
- Me desculpe eu..
- Desculpe? O estrago em meu carro não sai com um pedido de desculpas..
- Anote meu telefone, eu pago. -Falei, com a voz baixa.
Passei automaticamente o número de meu celular e entrei no carro com cuidado, ainda sem saber direito o que fazer. Eu poderia ter morrido.
Parei meu carro em frente à casa de e analisei meu rosto no espelho.
Um rosto chocado. Com alguns arranhões e..sangue?
Levei a mão em minha testa com receio. Havia mesmo sangue lá.
- Caramba..- murmurei enquanto destravava as portas do carro.
Toquei a campainha e abriu a porta com raiva.
- Você. - Ele disse inicialmente com raiva, mas parou. Acho que ficou assustado pelo meu estado. - Meu amor o que...
- Me deixa entrar.. - Pedi em súplica e me pegou cuidadosamente pela mão.
- Senta aqui...- disse, carinhosamente, enquanto jogava algumas almofadas em sua melhor poltrona.
Me sentei e senti meu corpo inteiro latejar. Uma dor de cabeça enorme me aguardava.
- Agora, me conta o que aconteceu.
Respirei fundo.
Tentei pensar em milhares de maneiras para contar a o que havia acontecido, mas todas as maneiras o machucariam. Pensei inclusive na possibilidade de omitir alguns fatos, como por exemplo estar assinando para a Public!, mas não contar a verdade só faria com que ele se magoasse ainda mais. A verdade é que com seus olinhos me encarando de uma forma tão sincera, eu não queria fazer nada além de tê-lo comigo para o resto de minha vida e nunca o machucar. Apesar de ainda enxergar como um melhor amigo bom de cama, não pude deixar de receonhecê-lo como carinhoso e protetor.
- Me desculpa...- Eu disse por fim, sem saber por onde começar.
- Desculpar por quê? Por você ter me deixado esperando? Olha, se for por isso eu...não precisa, o.k? E, porque você esta machucada assim, meu amor? - disse, passando os dedos delicados e cuidadosos por meu machucado. Porque ele tinha que ser exatamente desse jeito?
- Por isso também eu..quase bati com meu carro quer dizer eu...realmente bati com meu carro ele está todo amaçado e, ah ! - Não terminei. Já estava chorando novamente.
- Você estava correndo? O que aconteceu você é tão prudente...
- Eu..eu te deixei esperando para seguir , o.k? Enquanto ia até minha sala eu a ouvi falando com Angella no telefone e decidi segui-la até o Tringle, aonde elas irião almoçar.
- E o que você descobriu?
- têm um contrato com a Public!, ... - Falei, finalmente, escondendo meu rosto entre as mãos.
ficou com os olhos perdidos em algum lugar por um tempo e depois se voltou para mim:
- Eu já não a suportava mesmo...
Ri fraco.
- Você sabe que ela fazia um bom trabalho.
- Prefiro uma pessoa honesta à uma que faça um bom trabalho, . - disse, soltando o ar. - Bom, você precisa descansar... eu sei que ela era sua amiga, meu amor. Sei que confiava nela, aliás, todos nós confiávamos. Vou demiti-la amanhã mesmo. Mas, vamos deitar..vou cuidar desse seu machucado, te fazer carinho e te fazer dormir. - Ele disse me pegando com carinho pela mão.

SCENE 12
"Yeah, I'm born again, out of the lion's den. I don't have to pretend. And it's too late, the story's over now, the end" (Katy Perry - Wide Awake)
Eram nove da noite.
Depois de descansar um pouco, estava recostada na enorme e confortável poltrona de esperando por uma xícara bem quente de café.
- Você está melhor? - A voz de soara rouca ao repousar a xícara em minhas mãos.
- Com você aqui, é claro que sim. - Falei, acariciando seus cabelos assim que sentou-se junto a mim.
sorriu e subtamente me lembrei de que não havíamos conversado sobre....hm, nosso namoro.
- Não te perguntei como foi o passeio em Wisconsin.
- Não quero falar sobre isso. - Disse sinceramente. Me lembrar da cara de pau de meus pais e de que sou meia-irmã de não era exatamente o que eu queria agora.
- O que aconteceu? - perguntou, parecendo preocupado.
- Meus pais me esconderam muita coisa, e eé claro que eu fiquei muito triste de saber isso. Não quero relembrar o quanto depositei minha confiança neles e me desapontei, tudo bem?
- O.k, eu estou aqui para o que precisar.
- Eu sei que está porque é o namorao perfeito. - Falei, vendo abrir um sorriso.
- Então isso sim ao meu pedido?
Franzi as sobrancelhas.
- Você não fez um pedido. - Falei, dando um tapa de leve em seu braço.
- Precisa de pedido falei isso na frente dos teus pai.
- Você, , falando tamanha grosseria? - Me fiz de ofendida.
- Você , aceita namorar comigo? - Perguntou , segurando minha mão.
- É claro que aceito. - Falei e logo juntei nossos lábios.
- Tudo bem e... a beat? - Perguntei, me lembrando de que ainda tinha funcionários que possivelmente reagiriam de forma estranha ao nosso namoro.
- Eu não me importo, você se importa? - Insagou depois de beijar-me na testa.
- Não. - Sussurrei.
Na verda de era meio impossível eu não ligar para os comentários afinal, se antes eu já era taxada de interesseira por se melhor amiga de , sendo namorada as coisas tendem a piorar um pouco mais.
- Olha só, nós podemos ver um filme. O que acha?
- Por mim tudo bem, meu amor. - Falei me levantando. - Você escolhe o filme e eu preparo a pipoca.
assentiu e eu fui para a cozinha disposta a fazer a pipoca.
- Tudo bem O Caçador de Recompensas? - Ele perguntou.
- Não têm nada menos romântico?
- É comédia romântica, .
- O.k, tudo bem! - Gritei da cozinha.
***

Só me lembro de ter dado algumas risadas ao lado de e depois devo ter dormido.
- Preciso ir para casa. - murmurei, com um pouco de dor. Ainda estava com as mesmas roupas.
- Amor? - sussurrei.
dormia como um anjinho.
- Oi. - ele murmurou.
- Preciso ir para casa. - falei, acariciando seus cabelos.
- Posso te dar uma dica? - ele se virou para ficar de frente para mim.
- Como assim?
- Essa é a pior maneira de me acordar.
Sorri de lado.
- Isso é sério?
- Olha só, eu levo você. - se sentou.
- Meu carro está aí fora, só para te lembrar.
- Aí fora todo amassado, só para te lembrar.
Revirei os olhos e riu.
- São... - olhou o relógio em sua cabeceira. - Dez da manhã. Te levo em casa, você toma um banho, vamos ao café e depois até a revista, o.k?
- Levar em casa...o.k, tomar banho...o.k, ir ao café...perfeito, ir até a revista...?
- Precisamos analisar o espaço, e procurar outro prédio.
- Espere...não vamos trabalhar mais no Owners?
- Não.
- Aonde...
- Isso vamos resolver hoje, meu amor. - disse e se levantou em seguida.
***

- Um frappuccino e um descafeínado, por favor. - pedi a atendente que em minutos atendeu ao meu pedido.
- Tudo bem...cafés, confere! - disse assim que destravou as portas do carro.
- Próxima parada...Gossip.

Confesso que é meio estranho se despedir de um lugar no qual você trabalhou a vida inteira.
Apoiei-me sob uma mesa qualquer da redação.
Os olhos de estavam perdidos, sem saber ao certo por onde começar. Eu sabia que todo aquela otimisto e confiança duraria pouco.
- Ei! - chamei-o depois de estalar os dedos.
- Ah, oi.
- Já sabe de algum outro edifício comercial de Nova York que podemos alugar?
- Ainda não visitei a recente construção na 2nd avenue, topa?
- É claro que sim.
- Acho melhor encaixotarmos algumas coisas. - sugeriu e eu assenti.
- Vou pedir ao Jeremy algumas caixas e ajuda. - Falei.
Jeremy era o zelador do prédio e sempre nos ajudava com problemas técnicos, fui chamá-lo e quando voltei, não estava mais na redação.
- Droga! - sussurrei assim que ouvi um barulho de chaves na porta.
A sala um.
A sala um era a sala de e como decidimos sair daqui, era imprescindível que desocupássemos tudo, - inclusive a sala de , que permanecera trancada desde sua morte.
estava lá. Olhando ao seu redor, imerso em lembranças.
Era horrível vê-lo assim.
- Meu amor...- falei, afagando seus ombros.
- ...- chamou-me com a voz falha.
Ele se virou, seus olhos estavam vermelhos.
- Acho melhor que Jeremy encaixote isso tudo. - Falei.
- Não.
- !
Ele arregalou os olhos e então percebi que minha voz havia saído alta demais.
- Me desculpe...
- , eu sei que deve ser difícil para você mas, procure me entender.
- , é difícil para você também, mas você não entende o meu lado eu...
- É claro que eu entendo, é bem simples...você detesta .
- Sim, detesto. Mas isso não faz com que eu me torne fria, .
- O que você quer dizer com isso? - Ele perguntou, ficando de costas para mim.
- Quero dizer que você não sabe nem a metade do que aconteceu entre mim e .
- Como assim? - se virou.
Seus olhos estavam ainda mais vermelhos e, exatamente neste momento, eu soube que tinha dito a coisa errada.
- ...
- Então era o que todos comentavam...vocês tinham um caso. Só pode ser. Vocês se odiavam tanto, aquilo tudo só podia ser faxada.
- Não! - Exclamei, com a voz uma oitava acima do normal.
- E o que eu não sei sobre você e ?
- Eu realmente não queria te falar, .
- Se não esconde nada qual o mal de me contar? - Ele perguntou, cinicamente.
- Qual é o problema com você? - Perguntei.
Nós estávamos brigando por um motivo idiota de novo. .
- Problema algum...eu só quero saber o que houve de tão importante entre e você! - Ele bateu na mesa e eu fechei os olhos com força.
- Desde quando você é possessivo, ? - perguntei e em seguida revirei os olhos.
Eu queria parar de brigar, não passar o resto do meu dia ressaltando os defeitos de .
- Você está me decepcionando cada vez mais, .
- "Decepcionando cada vez mais"? Nós começamos a namorar ontem, nem por isso fico no seu pé. Além do mais, eu tenho meus problemas e você os seus. Tê-los pararelos ao "namoro" não nos faz menos namorados! - Explodi.
nunca fora tão imaturo, isso estava me dando nos nervos.
- Eu preciso saber! - gritou ele.
- Quer mesmo saber?
- Pelo visto você não entendeu que nós não podemos ter segredos, porque nosso namo...
- é meu irmão de consideração. - falei e logo depois soltei o ar pesadamente.
- O quê?
- Você não queria saber? Agora sabe, mas por favor, não me venha com acusações sem pé nem cabeça do tipo "você me escondeu isso o tempo inteiro". Eu só soube disso na minha ida a Wisconsin. Então, agora que você já sabe posso te dizer uma coisa?
fez que sim e eu suspirei triste.
- Estou cheia , infelizmente. Cheia disso, de brigar por besteiras, cheia do nome de nos infernizando o tempo inteiro e, cheia da pessoa que você parecia ser. - falei por fim. Virei as costas e saí da sala, encontrando a redação completamente abarrotada de caixas. Andei com dificuldades até minha bolsa.
- ! - ouvi me chamar e apertei repetidas vezes o botão do elevador.
- Que tal terminarmos essa conversa?
- Nós já terminamos, . - falei, e logo notei que o elevador ja estava parado em meu andar. Entrei e olhei para os lados, evidanto encarar .
Era incrível como eu estava com raiva. Se a gente terminasse, dane-se. Eu não estava magoada e arrasada por termos discudido nossa relação pela primeira vez. Eu estava cansada. O pior de tudo é que esse estresse não podia ser comparado ao estresse do trabalho. Era um bem pior, o que me deixava ainda mais irritada porque estava acostumada a driblar tudo e todos e principalmente; controlar o caos rapidamente. Só que desta vez o caos fugiu de mim, e me tomou completamente. Eu estou um caos.
Fechei meu casaco assim que recebi uma onda de vento gelado em meu rosto e saí do prédio da revista, me lembrando que estava sem carro, e ainda teria que buscá-lo na casa de mais tarde. Pegar um táxi não seria problema, afinal, fazia isso até poucos meses atrás. Parei o primeiro taxista que vi e pedi que fizesse a rota até minha casa. Precisava descansar.
Descansar meu corpo, minha mente, meu coração. Nunca fui muito fã de dramalhões mexicanos mas eu estava realmente fazendo um. A situação estava fora de controle e eu não gostava nada, nada daquilo. Todas essas notícias, as perguntas sem respostas, situações em aberto sem que providências sejam tomadas, isso me deixa fora de si. Eu gosto de organização, de domínio. De tudo aquilo que eu possa controlar e que possa ter certeza. Isso provavelmente é um tipo de doença.
Suspirei enquanto jogava minha cabeça no encosto do banco de trás. Era entorpecedor a sensação de ter seu mundo de cabeça para baixo, - não que ele fosse o mais perfeito de todos, pelo contrário. - só que de repente vi toda aquela idealização sumir. Afinal, o que eu fui até agora? Será que conquistei minhas próprias metas? Será que tive uma família unida em algum dia? Será que já me apaixonei por alguém que não me decepcionasse?
Bufei alto assim que ouvi meu telefone tocar. Mas que diabos.
- Alô. - Sibilei.
-?
-?- Indaguei, desencostando do banco. Mas que porra está acontecendo?
-Oi, tudo bem? - O quê? Tudo bem? Como assim tudo bem, essa vagabunda ainda me liga e pergunta se está tudo bem, como se ela se importasse. Porra!
-Sim, e você?
-Ótima.- É claro que ela está ótima está ganhando dois salários e trabalhando em uma das revistas mais bem colocadas pelos críticos, coitadinha, minha amiga deve mesmo estar quase entrando em depressão profunda. Fizemos uma pausa.
-Por que exatamente você está me ligando?
-Nós precisamos conversar, huh?- "Precisamos?", pensei.
-Precisamos?- Disse o que estava pensando e encostei de volta no banco.
-Sim, posso te ver?- Arregalei os olhos.
-Ah, claro.
-Quer tomar um café comigo depois do almoço?- Cafeína, bom convite.
-Às duas?- Perguntei depois de olhar meu relógio.
-Sim, Starbucks?
-É claro, combinado. Até logo.
-Até, amiga.- Falei e depois finalizei a ligação. Eu nunca soube de nada que pudesse me fazer ficar contra a minha pobre amiga . De agora em diante.
Provavelmente sua nova chefe a mandou marcar esse encontro comigo para saber a quantas andam nossos preparativos no processo contra a Public! e me pedir desculpas, para que eu não desconfiasse de nada. Tarde demais, eu já havia desconfiado. Por falar nessa bosta de revista, ainda temos uma audiência semana que vem, por causa do maldito .
Maldito, mil vezes maldito!
Todos meus problemas são por causa desse merda.
- É aqui? - O motorista perguntou e eu ajeitei-me no banco.
- Sim, obrigada. - Estendi-lhe o dinheiro.
Ele deu uma piscadela e eu me limitei a sorrir de lado.
Escroto.
Cheguei em minha casa e tirei os sapatos. Precisava comer algo rápido, menos enjoativo possível e gostoso. Resumindo, um miojo.
Me limitei a colocar os pijamas e a comer em frente a tv o macarrão instantâneo e ver alguma porcaria na televisão.

’s VOICE.

Chutei a caixa mais próxima.
Eu não sabia se culpava mais ou a mim por isso.
Com toda certeza eu sei como foder qualquer relacionamento meu.
era a única por quem eu me apaixonei de verdade, a melhor que eu já tive. E ainda consegui estragar uma coisa que tinha tudo para dar certo.
Se a beat der errado posso até escrever um livro, uma versão masculina de “Como perder um homem em 10 dias.”
Encostei minha cabeça na enorme janela de vidro e bufei alto. Eu conseguia estragar tudo em poucos minutos e realmente, isso me impressionava as vezes. Nada além do silêncio me acompanhava, e isso é horrível, todos os meus dias ao lado de me fizeram esquecer que um dia ele fora minha única companhia. Além de algumas vadias da redação que esquentavam minha cama com o calor de seus corpos a noite.
Dirigi até minha casa e me joguei em minha cama, tentando esquecer a gravidade do que tinha acabado de acontecer, pelo que conheço de , ela deve estar deitada vendo televisão e não deve ter dado a mínima para a nossa discussão.
Eu estava lidando com isso da forma certa? Porque certamente ela estava totalmente certa de que nosso relacionamento tinha acabado. "Mas que porra!", pensei, eu estava agindo como se fosse a menina da relação, mas que diabos! Dane-se , dane-se nosso começo e fim de namoro, dane-se tudo. Eu realmente não queria fazer isso.
Levantei da cama e desci as escadas em direção ao armário da sala. Uma garrafa de vodka pela metada me esperava; há tempos eu não a bebia, mas a situação estava tão convidativa...

's VOICE.

Meu telefone tocou e soube que era demiti-la e podermos começar um trabalho com gente realmente de bom caráter naquela revista.
Murmurei alguma coisa em reprovação ao som estridente emitido pelo celular e me levantei do sofá, seguindo em direção ao banheiro. Tomei um banho rápido deixando a água morna bater em minha omoplata, levando embora qualquer resquício de preocupação, e além de tudo, fiz uma prece para que tudo desse certo e eu não perdesse o controle no meio do caminho e gritasse a que "já sabia de todas as suas armações".
Me enrolei na toalha e abri o guarda-roupas de tamanho médio, procurando uma roupa quente e confortável que pudesse usar hoje, já que o clima frio estava começando a tomar Nova York novamente. Frio. O inverno com toda certeza é minha estação predileta, até porque, quem não gosta de ficar em casa debaixo do cobertor enquanto o prefeito decreta estado de calamidade devido as fortes tempestades de neve?Eu adoro.
Vesti uma calça jeans skinny azul escuro e um moletom acompanhado de uma blusa por baixo. Calcei minhas botas e prendi meu cabelo em um rabo alto. Estava pronta para "tratar de minhas pendências", como diria Christian, meu velho pai.
Uma rajada fina de vento atingiu meu corpo assim que saí do prédio fazendo com que o meu rabo de cavalo chicoteasse em meu pescoço. Andei a passos largos até a estação de metrô mais próxima dali com o vento avisando a cada rajada que a neve logo chegaria.
Avistei a escada até a estação e apertei o passo desejando não ter que esperar muito por um metrô. Nós poderíamos ter marcado esse simples encontro em um Starbucks qualquer perto de minha casa mas insistira muito para que nos encontrássemos nesse novo café na zona norte de Nova York.
Desci as escadas acompanhada somente pelo barulho do vento e o solado de minhas botas de couro marrom escuro batendo nos degrais de concreto.
A estação central de Nova York estava demasiado vazia, com pequenas filas concentradas em alguns pontos de retirada de bilhetes e poucos passageiros sentados, à espera da próxima condução.
Comprei um ticket para a estação localizada ao norte de Nova York, alguns minutos seriam mais que suficientes para se chegar lá de carro porém meu orgulho ainda não me deixara voltar correndo até a casa de e pegar minhas chaves.
Olhei em meu relógio. Faltavam ainda alguns minutos para que o metrô chegasse.
Diminui a velocidade de meus passos no caminho até o local de embarque, brincando com a folha impressa minutos atrás, e que agora não teria mais valor algum.
"Estranha é a sensação que esse lugar traz", pensei. Aeroportos, rodoviárias, estações de metrô/trem. Embarque e desembarque, partidas e chegadas, lágrimas e sorrisos.
Lágrimas. Eu não chorava desde minha ida a Wisconsin, onde praticamente tudo que eu julgava estar "dando certo", desmoronou. Nunca fui de cair em prantos, nem chorar todos os dias e me fazer de vítima por algo que eu tinha certeza que iria dar certo no final; então nem por eu chorei. Agora negando tudo que eu fui e tudo que eu pensava, a única coisa que eu queria fazer era chorar. Chorar por realmente não saber quem errou na história toda, se foi eu, ou , por simplesmente agir daquela forma como sempre agiu, indiferente, prepotente, arrogante.
Esfreguei meus olhos e semicerrei-os assim que enxerguei uma pequena aglomeração à um quilômetro de mim. Todos entrando em um metrô de número 536, Comum.
Passei os olhos por meu bilhete e, droga!
Corri em direção à plataforma aonde duas pessoas ainda não haviam entrado. Minhas botas quebraram o silêncio de todo o pavilhão com seu som estridente ao se chocar contra o piso.
Assim que me aproximei da primeira porta - que quase se fechara por completo,- estiquei meu braço direito e a mesma se abriu novamente. Sorri vitoriosa e entrei no metrô ofegante.
Me sentei em um dos lugares vazios e tentei me acomodar, já que o banco não era lá tão confortável quanto o sofá de minha sala. Revirei os olhos só por imaginar que toda essa correria fora por , minha doce e fiel .
Depois de alguns minutos o metrô chegara ao seu detsino e eu me levantei depressa. O celular vibrou no bolso canguru de meu moletom e eu o peguei assim que saí do meio de transporte.
"Onde está você? xx"

Revirei os olhos, eu poderia vomitar a qualquer momento. Respirei fundo e digitei de forma ágil qualquer merda que servisse como resposta:
"Estou aí em um minuto, haha. Não fuja! xx"

Depois dessa, estava mais do que claro para mim que a falsidade é um dom natural de qualquer ser-humano, não só das mulheres.
Subi correndo as escadas que me levavam devolta a rua e me surpreendi com um respigo gelado sob minha testa assim que saí da área coberta. Ergui a palma de minha mão e esperei algum segundo, neve.
Sorri de lado e andei depressa até o café que não ficava muito longe dali.
Me limitei a dar um sorrisinho amarelo ao ver acenando animadamente para mim assim que entrei no charmoso estabelecimento.
- Oi, ! Tudo bom?
- Tudo ótimo e você? - Perguntei de volta assim que me sentei. Lá estava ela de novo, a falsidade companheira de todas as horas.
- Também estou bem, estava com saudades de nos encontramos assim. - Ela comentou, empurrando para o meu lado da mesa um copo médio de café.
"Café forte?", perguntei em pensamento assim que senti o aroma pesado que emanava da superfície do copo.
- Isso é meu? - indaguei.
- Sim, sei que adora esse. - Ela disse e eu sorri sem graça sussurrando um "obrigada".
- Bom, espero que seja breve. Está nevando e ainda pretendo voltar para casa hoje..- falei, procurando não prolongar demais a situação.
- Não vai tomá-lo? - Ela apontou para o copo. - Está frio, não acha? - deu um gole em seu cappuccino e eu soltei um risinho.
Vadia, mal amada, cachorra, piranha! Eu queria xingá-la mentalmente por horas! Eu detestava café preto, forte e puro. E a cadela sabia disso.
Fechei os olhos e levei o copo até a boca. Tomei um pequeno gole e fingi a melhor expressão de puro prazer que consegui.
- Ah, o café! - Exclamei.
- queria te pedir desculpas. - disse depois de alguns segundos de silêncio.
- Pelo quê? - falei com a voz doce. Eu queria matá-la.
- Pelo meu comportamento na última reunião, foi totalmente inadequado e..
- Tudo bem, tudo bem.. eu preciso ir, estou sem carro! Call me, o.k? - falei, me levantando. Precisava ir para casa antes que minha próxima passagem fosse na cadeia acusada de homicídio doloso¹.
Confesso que agir assim, com tamanha falsidade, não me fazia sentir a melhor pessoa do mundo; mas também não poderia jogar a merda toda no ventilador agora, não antes da audiência.
Caminhei novamente até onde eu pegaria o metrô, eu estava perdendo ali. Perdendo tanto meu tempo quanto minha novela.
¹: Quando há intenção de matar.

SCENE 13
Strong enough to leave you but weak enough to need you (Demi Lovato - In Case)
De acordo com meu relógio eu havia perdido quinze minutos de minha novela, fala sério. Apertei o passo assim que cheguei perto de meu prédio.
- Boa tarde, . - Disse Geoger e eu sorri cumprimentando-o de volta.
Geoger o porteiro do espediente vespertino me entregou um bolo de correspondências e eu suspirei pesado.As contas.
Mais uma vez a possibilidade de arrumar outro emprego me passou pela cabeça. É claro que eu confiava cegamente em e esse era o problema, confiava tanto a ponto de criar falsas esperanças sobre a nova revista, beat. Haviam milhares, várias, oportunidades de emprego para pessoas como eu, publicitárias, que trabalham com o marketing e a pesquisa de público - e estas oportunidades batiam à minha porta todos os dias, como agora. - Mais e mais cartas com ofertas de emprego, suspirei alto assim que abri a porta de meu apartamento.
Tirei minhas botas e desfiz o rabo de cavalo,"que merda de dor de cabeça é essa?", pensei.
- Deve ter sido a bosta do café. - Murmurei para mim mesma e fui até a cozinha afim de preparar um café que eu realmente gostasse. Liguei a cafeteira e andei até meu quarto para tirar a calça jeans e colocar uma leggin da mesma cor de meu moletom, cinza. Saí do cômodo inebriada pelo aroma maravilhoso que vinha de minha cozinha e sorri instintivamente.
Liguei a televisão e voltei para buscar meu café com um pouquinho de leite desnatado. A perfeição em apenas uma xícara. Acomodei-me em minha poltrona confortável com uma almofada em meu colo. Decidi ver um tabloide qualquer no E! e lamuriar-me por não ter uma vida invejável como a daquelas celebridades, era uma coisa que eu gostava realmente de fazer; quando tudo dava certo eu mal ligava a tevê - tudo bem, eu estava mentindo. - Mas se martirizar ouvindo fofocas era um dom para poucos.
TMZ¹ time! Haviam dias em que tudo na tv parecia interessante, e havia dias como hoje, em que nada fazia sentido, e nada era interessante, a menos que a bunda caída da Selena Gomez te interesse em algo. Revirei os olhos e peguei o controle, pronta para desligar o aparelho quando ouço um nome bem conhecido por mim: Angella Guess.
"Well, agora temos Angella Guess. Angel, como os mais íntimos a chamam, foi vista em LAX. Recebendo uma velha conhecida nossa com um abraço caloroso, vejam! Será que Angella vêm aprontando algo? Lembrando que Guess é famosa mundialmente pela direção chefe de uma das melhores revistas que o mundo já viu, Public!. famosa por seus trabalhos na Vogue 2012, agora estaria no ramo publicitário? Mais notícias depois do intervalo comercial"
Mas que diabos Angella estava fazendo com uma modelozinha? Será que ela seria a capa desta semana? Só essa que me faltava!
Me levantei e fui até a cozinha, limpar a sujeira da cafeteira e guardá-la novamente. Ouvir o nome de Angella não era nada bom, me fazia lembrar da audiêndia, e de tudo que terei que fazer para a imagem de voltar a ficar limpa, coisa que eu não deveria fazer, eu sei. Mas esse é meu trabalho.
- Na verdade não. - murmurei em voz alta e segundos depois soltei um muxoxo. Não queria ver perder, aliás, não sei o que quero nesse momento. Se é ou um emprego decente, no qual eu não me envolva com meu chefe, e em um lugar que tenha um futuro bem promissor. Afinal, as contas não param de chegar e decidi que, de hoje em diante, não apresentar indícios de falência será um bom critério para meu próximo emprego.
Próximo emprego. Humpf! Eu estava usando aquela palavra tão normalmente sendo que não tinha a mínima ideia de onde ficar. Queria realmente ajudar com a beat e, por tudo que é mais sagrado, passar a maior parte do meu dia ao meu lado; tenho certeza que ele também e isso acaba se tornando um problema. Um grave problema de dependência. Uma faca de dois gumes. Uma corda que sempre arrebenta para o meu lado.
Andei até meu quarto sem parar com os devaneios sobre a audiência, tudo aquilo parecia não ter fundamento algum e ser só mais uma burocracia idiota, mas se tratando da Public! todos nós iremos pagar por mais um erro estúpido de .
Oh, !
"Mas que bosta!", pensei ao me aninhar em meio aos travesseiros de minha cama, há quanto tempo eu não pensava em mim, huh? Qual foi a última vez que mudei o cabelo ou qye me dei de presente uma bota nova, por exemplo?
"Dane-se", disse uma vozinha em minha cabeça, "todos os seus pensamentos no fim irão para o trabalho."
- Até porque uma bota nova não chega sozinha ao meu armário, huh? - Indaguei baixinho e depois soltei um muxoxo de reprovação.
Meu pensamento estúpido mudara de alvo. era, agora, o motivo de minha dor de cabeça.
Eu estava preocupada, confusa e com raiva. Não necessáriamente dele, mas de mim. Eu poderia simplesmente ter abandonado a Gossip, ignorado ...poderia ter feito qualquer coisa, ter tomado qualquer atitude, menos ter seguido o caminho que segui. O pior de todos, mas que ao mesmo tempo parecia tão certo.
Revirei-me na cama e procurei esquecer as malditas lembranças daquele vinte e seis de janeiro.
O sono veio e eu cedi, procurando nele as forças necessárias para acordar bem e disposta a resolver todos os meus problemas.
***

- ! porra!! Cadê você? - ouvi me chamarem e esfreguei os olhos.
"Que horas são?", perguntei em pensamento, me assustando com o sonoro e audível "oooh!!" vindo da rua.
Cambaleei até a sala e olhei o relógio: Oito horas da noite.
- Mas que porra! - praguejei enquanto ia até a cozinha pegar um copo d'água.
- Vai à merda ! Que caralho! Eu te amo porraaaaa! Apareça agora! - Ouvi e me engasquei com o líquido. Corri até a pequena sacada e olhei para baixo.
- ? Mas que diabos...
- Desca aqui já sua piranha! - ele gritou e eu arregalei os olhos. Só podia estar bêbado.
Mostrei o dedo do meio e me virei indo até a sala. Me joguei no sofá. O filho da mãe não parava de gritar, mas que praga!
Revirei os olhos e liguei a tevê no volume mais alto que consegui.
- Se e o ignorar ele vai embora...- repeti para mim mesma algumas vezes, quase que em uma presse, enquanto encarava a televisão.
Anda logo , mete a cara em alguma janela dessa bosta de cúbiculo que você se esconde e para de cu doce, inferno!", ouvi.
Eu poderia rosnar como um cão a qualquer momento. Desliguei o televisor e me levantei indo em direção à porta, eu não tinha escolha, já que de qualquer maneira amanha eu seirei provavelmente a "piranha do bêbado" ou a "menina cu doce de Nova York".
- Mas que caralho! - xinguei assim que o vi. - Mas o que você quer?
- Até que enfim, ! Achei que precisaria chamar os bombeiros para te tirar daquele lugar.
- Engraçadinho. - ironizei.
- Não vai me convidar para entrar? - ele se aproximou.
- Olha só você acabou de me tirar de casa e já quer me fazer voltar para lá? Me diz logo o que quer.
- Me desculpa, !!!! - Choramingou e eu revirei os olhos.
- Você bebeu sim, ? - Indaguei já sabendo a resposta.
- Sim, mas é claro que eu bebi porra! O que você queria? Que eu terminasse minhas atividades normais e dormisse tranquilamente e te ligasse pela manhã para tomarmos um café? - Ele falou, com uma careta.
- Exatamente. - murmurei entre dentes.
se virou e começou a caminhar em direção ao seu carro. Corri.
- Olha só. - comecei - Você não pode dirigir bêbado desse jeito! Mas que porra!
- Claro que posso, você não me mandou embora?
- Para de cu doce e sobe comigo agora. - Falei.
bufou e cambaleou até mim, ele realmente estava bêbabdo. Revirei os olhos e estendi o braço para que pegasse.
- Venha, se apoie em mim. - eu disse e, fazendo um acareta, agarrou meu ombro.
Assim que chegamos em casa se jogou no sofá. Ele estava arrasado. Havia bebido tanto assim? Porquê, nunca o vi agir de tal modo. Isso tudo era culpa minha.
- Me desculpa – eu falei, com a voz embargada, e cobri meu rosto com as mãos, sentindo vergonha de mim mesma por estar chorando.
- Não vejo seu erro.- veio até mim e murmurou com sua voz fraca bem perto do meu ouvido, me abraçando carinhosamente e me obrigando a inalar seu perfume viciante resistente ao cheiro do álcool. – Eu senti tanta saudade de você... Não conseguia te tirar da cabeça por um minuto sequer, me odiando por não ter simplesmente corrido atrás de você sem nem ligar pro que os outros iam pensar.
Àquela altura, eu já estava totalmente mole, ainda de pé somente porque ele me segurava. Era como se aquilo fosse um sonho. afundou seu rosto em meu pescoço, respirando profundamente meu perfume, e me deu um beijo atrás da orelha, provocando arrepios por todo o meu corpo. Logo depois, suas mãos envolveram meu rosto e o ergueram até nossos olhares se encontrarem. Encostando a ponta de seu nariz no meu, ele sussurrou, olhando fundo nos meus olhos com um sorrisinho lindo:
- Eu te amo, .
Sorri novamente, fazendo com que duas últimas lágrimas teimosas, que ele logo enxugou com os polegares, rolassem pelo meu rosto. Passei minhas mãos ao redor de seu pescoço, com o sangue formigando dentro das veias, e venci a pouca distância que separava nossos lábios. Senti sorrir assim que nossas línguas se encontraram, sem a menor pressa de se afastarem, e ele envolveu minha cintura com seus braços. Deus, como era bom me sentir inteira novamente. Envolvi seu rosto com minhas mãos, matando a saudade de cada centímetro daquela região, e embrenhei meus dedos em seus cabelos, que estavam arrumados demais pro meu gosto. Senti meus pés saírem do chão quando me levantou, e dobrei minhas pernas pra trás, partindo o beijo e afundando meu rosto em seu pescoço. Sorrindo feito uma idiota, aproveitei a proximidade entre minha boca e seu ouvido para sussurrar:
- Você sabe que eu também te amo... Não sabe?
me colocou no chão novamente, e quando voltamos a nos encarar, vi que ele fingia pensar numa resposta, fazendo um biquinho fofo e olhando pra cima.
- Hm, não sei... Que tal refrescar a minha memória?
Um sorrisinho danado surgiu em seu rosto, o que só me fez sorrir mais ainda. Quase tinha me esquecido de como era bom estar com ele e de como ele me fazia rir com uma facilidade impressionante.
- Pode deixar que eu te faço lembrar direitinho, . – sussurrei, com meus lábios rentes aos dele num sorrisinho esperto e um olhar intenso em seus olhos radiantes. colocou suas mãos em minha cintura e me puxou pra mais perto bruscamente, me beijando na mesma hora com uma vontade assustadora. Parecia que ele se lembrava muito bem, e estava mais do que disposto a me dar um flashback.
Suas mãos logo desceram mais um pouco, parando espalmadas em minha bunda, e as minhas deslizaram lentamente pelo seu tórax e abdômen, saboreando cada milímetro do trajeto. continuou descendo uma de suas mãos até a minha coxa, e a puxou pra cima, fazendo meu joelho ficar na altura de seu quadril. Entendendo o que ele queria, eu subi novamente minhas mãos até seus ombros e me impulsionei pra cima, envolvendo sua cintura com minhas pernas. Agradecendo com gemidos baixos enquanto me beijava, ele deu alguns passos às cegas, segurando firme em minha bunda enquanto eu voltava a agarrar seus cabelos da nuca. Mais alguns passos adiante e eu estava sentada sobre algo plano. Tateei a superfície, enroscando meus dedos em alguns fios inesperados, e percebendo minha curiosidade, partiu o beijo e disse, com a boca avermelhada e um olhar meio enfezado:
- Quer fazer o favor de parar quieta?
Olhei pra baixo, e me vi sentada sobre a mesinha do telefone, que tinha sido empurrado pro lado e caído no sofá, deixando sobre a mesa apenas sua fiação. Ah, tá, agora eu entendi.
- Foi mal – murmurei, sorrindo sem graça pra ele, que revirou os olhos com um sorriso de canto e voltou a me beijar logo depois. Sem tempo a perder, enfiei minhas mãos por debaixo de sua blusa branca, tocando sua pele quente, e as deslizei até descobrir seu abdômen todo. Com uma das mãos, puxei-o pra mais perto pelo cós da bermuda, e ele resolveu tirar a blusa, puxando-a pra cima pela parte de trás e jogando-a longe em dois segundos. Assim que se aproximou novamente, avançou em meu pescoço, dando beijos e leves chupões pela região. Agarrei com mais força seus cabelos, enquanto fincava minhas unhas da outra mão em seus ombros divinos.
Ele continuou descendo seus beijos até meu colo e desabotoou um dos dois botões da minha camiseta preta, que só serviam pra regular o decote. Beijou de leve o local onde o botão cobria, e fez o mesmo com o segundo botão. Ele ergueu o olhar na minha direção, sorrindo pervertidamente, e depois suas mãos foram até o fecho do meu sutiã por baixo da blusa, levando-a junto. Tirei-a na mesma hora, com a ajuda desnecessária dele, e assim que ela voou pra algum lugar, sua boca estava grudada na minha novamente. Já bastante ofegante, eu acariciava seus braços e peito, sentindo seus dedinhos ágeis puxarem as alças de meu sutiã e fazendo-as escorregarem por meus ombros.
Com uma mão firme envolvendo sua nuca e mantendo seus lábios firmemente colados nos meus, eu lutava contra o botão de sua calça jans, que não queria abrir de jeito nenhum, com a outra mão. Pelo visto estávamos perdendo o jeito, porque também parecia estar com dificuldades com meu sutiã, mesmo usando as duas mãos para tirá-lo, até que ele se irritou e me afastou de leve.
- Resolve o meu problema que eu resolvo o seu, pode ser? – ele ofegou, atordoado, e eu assenti na hora, tirando o sutiã com facilidade enquanto via seu jeans descer até alcançar o chão. Achando graça do momento complicado, voltamos a nos beijar com um sorriso, e eu senti seu queridinho dar sinais empolgantes de vida mais embaixo. Abracei seu pescoço com mais força enquanto ele apertava meus seios e soltava alguns gemidos roucos, e passei a mordiscar e sugar o lóbulo de sua orelha com vontade.
subiu uma de suas mãos até minha nuca, agarrando meus cabelos, e passou a outra por debaixo da minha coxa, apertando seu interior e me puxando pra mais perto. Desci uma de minhas mãos até encontrar o volume que procurava, e fiz carinho de leve sobre a boxer, fazendo-o inspirar ruidosamente e buscar meus lábios com urgência. Ele podia ser bem exigente quando provocado. Assim que voltamos a nos beijar, sua mão contornou minha coxa, ficando sobre sua parte superior, e subiu até o botão da minha calça. Sem querer romper o beijo, mas com o mesmo problema de antes, ele tentava em vão abrir o botão, até que eu segurei suas mãos e o ajudei, com vontade de rir por vê-lo tão destrambelhado. Obstáculos vencidos, não demorou muito pra minha leggin e calcinha estarem espalhadas pela sala.
Deslizando suas mãos desde o meu joelho até meu quadril, segurou meu rosto com uma delas, embrenhando as pontas de seus dedos em meus cabelos por trás da orelha, e com a outra tocou minha intimidade devagar. Ele me beijou na mesma hora, só pra me provocar mais ainda. Igualmente dedicado a me beijar e a mexer seus dedinhos mágicos, ele não demorou muito a me levar ao primeiro orgasmo do dia, sorrindo orgulhosamente depois do feito. Incrível como ele sabia exatamente onde investir pra me fazer pirar. Sentindo algumas mechas de cabelo grudarem em minhas costas por estar suada, eu voltei a espalhar beijos por seu pescoço, porque hoje aquela área parecia estar especialmente perfumada. Me aproveitando da distração dele, minhas mãos foram descendo até encontrarem o elástico de sua boxer, e nem preciso dizer que ela já estava no chão em menos de dois segundos. Me afastei de seu pescoço e envolvi seu membro com uma mão, mantendo nossas testas unidas. Comecei a masturbá-lo rapidamente, sentindo apertar minhas coxas com força e afundar seu rosto em meu pescoço. Seus músculos do abdômen se contraíam enquanto eu acariciava sua nuca com a mão livre e beijava seu ombro, que estava próximo da minha boca. A respiração falha e quente dele no meu pescoço estava me arrepiando inteira, ainda mais quando ele começou a gemer baixo bem ao pé do meu ouvido.
Quando já estava nítido que ele se segurava pra não acabar com a festa, ele segurou seu pênis, me fazendo soltá-lo, e me pegando de surpresa por sua rapidez, me penetrou de uma vez só e com força. Soltei um gemido alto, que logo foi abafado pela boca dele, e finquei minhas unhas em seus braços. continuou investindo rápida e furiosamente, gemendo contra meus lábios, e segurava firme em minha cintura, me puxando pra si a cada investida. Estávamos realmente urrando, suados e com os músculos totalmente tensos de prazer, até que nossos gemidos foram ficando cada vez mais cansados e ele finalmente gozou, agüentando até eu atingir meu segundo orgasmo.
De olhos fechados e com a testa unida à dele, eu apenas tentava recuperar o fôlego enquanto sentia sua respiração quente em meu rosto. acariciou de leve minha bochecha com uma mão, e eu abri os olhos, vendo um sorrisinho fofo surgir em seu rosto. - Na mesinha do telefone, chefe? – cochichei, rindo baixinho e mordendo meu lábio inferior dormente, fazendo-o revelar seus olhos intensamente brilhantes.
- Me desculpe, vou tentar me esforçar mais pra chegar ao sofá nas próximas vezes – ele murmurou, dando uma piscadinha marota e me dando um selinho demorado logo depois.
¹:Thirty-mile zone (também conhecida como:Studio zone ou simplesmente TMZ) é um site americano de entretenimento que surgiu como uma parceria entre o AOL e a Telepictures, ambas pertencentes ao grupo Time Warner.

SCENE 14
"Great news are so good when you know how to use." (Unknow)
Deslizei meus pés para dentro das meias e sorri ao ouvir o barulho da televisão. estava deitado em meu sofá e sorriu para mim assim que eu me apoiei na soleira da porta de meu quarto.
- Bom dia. - ele disse com a voz um pouco rouca e senti minhas bochechas queimarem, eu ainda estava chateada com ele.
- Nós precisamos conversar..- cantarolei enquanto me sentava ao seu lado.
- Você está grávida? - perguntou , meio assustado e eu revirei os olhos.
- Você só fala merda, ! Me arrependo amargamente de ter transado com você ontem. - falei.
- Não foi o que pareceu. - ele ficou sério. Nós íamos brigar, eu tinha certeza.
- Sim, mas eu ainda estou chateada, que praga!
- Olha só, , você é impossível! EU TE AMO. - ele gritou. - ME DESCULPA. - gritou novamente. - EU SEI QUE VOCÊ NÃO GOSTAVA DO , SEI QUE É DIFÍCIL TODOS OS DIAS SE OLHAR NO ESPELHO E PENSAR NO QUE VOCÊ É E PORQUE TUDO ESTÁ ACONTECENDO E SEI COMO É DURO ACEITAR UMA MENTIRA DOS SEUS PAIS. EU ESTOU AQUI PARA TE AJUDAR, CARAMBA! - ele finalizou, já em pé com a mão nos cabelos. Eu tinha o irritado. Mas ele também havia o feito comigo, ele não sabia nem a metade do que falava.
- Não quero brigar. - murmurei, sem saber o que responder.
- Podemos ficar numa boa? - ele sugeriu e eu me levantei. Apesar de qualquer coisa, qualquer desintendimento, eu o amava.
- Sim. - sussurrei e sorriu.
- Vou para minha casa, fiz café se você quiser.
- É claro que eu quero, e porque você já vai? - indaguei.
- Preciso tomar um banho e resolver umas pendências do novo nome da revista, te encontro mais tarde para começarmos as demissões? - suspirei. Ligar para os funcionários e avisá-los de que estão demitidos é a pior parte para mim.
- Pode ser, tchau meu amor. - falei e selei nossos lábios.
bateu a porta me deixando com o som da tv e de meus pensamentos, será que ele havia ficado chateado? Fiz algo errado?
"novidade", pensei, "você vive fazendo coisas erradas e depois se perguntando o porquê de as pessoas terem se afastado". Revirei os olhos, aquela era a mais pura verdade.
Andei até a cozinha e dei uma golada no café que havia preparado. Eu estava me sentindo trão estranha, era como se me dessem uma amostra grátis de um perfume e eu o tivesse adorado tanto, que o vidrinho acabara em poucos dias.
Não que seja um vidrinho de perfume ou até mesmo uma amostra grátis. Eu o tinha, mesmo até sem ter certeza. O "eu te amo" que ouvi em bom tom de sua boca ontem a noite fora um dos mais verdadeiros, enquanto o meu fora um questionamento, um parênteses em aberto, uma estrofe inacabada ou um refrão inaudível. Eu simplesmente não tinha certeza, e isso nos machucava, - mais a ele do que a mim,- isso o fazia se sentir só um passatempo, e essa é a pior sensação no meio de um relacionamento.
Me detesto cada vez mais por causar esse tipo de dor à uma pessoa tão boa como , porque a verdade é que depois do dia 16 de janeiro de 2013 eu nunca mais fui boa o suficiente para conviver com outras pessoas. Eu me sentia lixo, pó, uma máquina destruidora. De corações e de vidas.
Suspirei e olhei para minha caneca que estava vazia; soltei um muxoxo em reprovação e ajeitei a pequena bagunça sob a bancada.
Abei o armário e sorri ao ver um pacote de nachos reluzir para mim, sim, nachos industrializados. Eu costumava comê-los de madrugada mas a sensação de prazer que aquelas malditas 500 gramas me proporcionavam, hm.... eu precisava dela agora.

's VOICE

Bati a porta de casa com força e joguei minhas chaves em algum lugar da sala de estar. Eu estava de saco cheio disso que estou sentindo.
Subi correndo as escadas até o meu quarto e comecei a me despir, andando até o banheiro.
"Me arrependo profundamente de ter dormido com você", as palavras se repetiam como zumbidos em minha cabeça. "Pois bem", pensei assim que liguei o chuveiro gelado, "também fora um grande erro gritar para toda Nova York que te amo ontem a noite, ", corrigi em voz alta enquanto deixava a água gelada levar o perfume inebriante de .
Me ensaboei, esfregando a esponja por todo meu corpo e pressionando-a cada vez mais contra o mesmo. Normalmente eu não me arrependeria do feito da noite passada, se a garota não fosse . Não foi romântico; o "eu te amo" proferido por ela não era verdadeiro. Era como se estivesse fazendo uma rapidinha com uma vadia qualquer sem envolvimento algum, só por diversão. O problema é que a vadia em questão era o amor da minha vida, a causadora das dores, da ansiedade, do ciúmes.
Minha pele já estava vermelha. Mas será possível que não há um jeito de tirá-la da minha vida?
Fechei meus olhos com força, eles queimavam. Eu não iria chorar por ela, não como daquela vez.
Desliguei o chuveiro e encostei a cabeça na parede, ouvindo somente minha respiração. Eu queria encher a cara, ver vários vídeos pornôs, sair por aí e voltar só no outro dia, mas eu não conseguiria.
"I don't know where i go without you", lembrei, respirando fundo.

Manhattan, 12 de dezenbro de 2012. 13 p.m

", e eu estávamos almoçando em um restaurante qualquer de Manhattan. Eu e havíamos decidido ir té lá para pesquisar algumas coisas sobre o público, conhecer as revistas mais famosas, a concorrência em geral; e , é claro, quis logo vir conosco.
Conversávamos animadamente - tirando algumas trocas de farpas entre e -. pediu licença da mesa para atender um telefonema assim que checou o número na tela de seu celular. Ela se afastou e eu olhei para , que apenas deu de ombros e continuou sua refeição. Revirei os olhos e me esforcei para ouvir sua conversa.
- Sim, estou em Manhattan, como soube? ... Não é isso, foi uma emergência- ela murmurou meio chateada - Não têm necessidade disso tudo, por favor...O quê? Como você pode fazer isto comigo? - Seu tom de voz se elevou e ela deu uma olhada à sua volta. Voltei a encarar meu prato depressa.
- Sim, mas ainda não vejo motivos! ... Daniel por favor! ... Não acredito no que isso se tornou...I don't know where i go without you... - ela sussurrou triste depois de encarar a tela apagada de seu smartphone.
Olhei para que me lançou um olhar de conforto. Ele sabia de mim. Sabia de tudo.
voltou à mesa segundos depois com um sorriso fraco, se desculpou pelo "incômodo", segundo ela, e se voltou para seu prato de batatas-fritas.
Acabamos de comer em silêncio. ficou muda o resto da volta para casa, eu queria abraçá-la."

Abri os olhos e enrolei a toalha em meus quadris me perguntado se, em algum momento, sentia isso por mim. A resposta provavelmente seria não.

's voice.

Enrolei-me na toalha e andei até o meu quarto para procurar o que vestir. O toque me avisou que alguém acaara de me enviar uma mensagem então, me estiquei até a mesa de cabeceira para pegar o celular.

"Olá, ! Não sou a maior fã de mensagens de texto mas realmente não posso te ligar no momento. Podemos almoçar no Gardens daqui à meia hora? O assunto é de extrema urgência. xxAngella G.


"O quê?", indaguei em pensamento e reli a mensagem afim de averiguá-la.

"Oh, Angella! Infelizmente acabei de almoçar. xx."


Digitei uma mentira qualquer em menos de cento e quarenta caracteres e joguei meu celular sob a cama, eu ainda não havia me vestido.
Coloquei um casaquinho de lã por cima de uma blusa regata, calça jeans branca e botas de cano curto. Por mais que tivesse afrontado Angella na mensagem anterior, sei que vamos nos encontrar, ela não desiste nunca e a minha curiosidade também não.
O visor de meu celular acendeu e eu, mais do que depressa, deslizei meu polegar sobre a notificação para visualizar a mensagem por completo.

"Ah, ...faça-me o favor! Te vejo daqui à meia hora, não se atrase docinho! xxAngella G."


Revirei os olhos e indaguei em voz alta, indignada:
- Docinho? Mas que falsa!
Bufei alto e andei até a enorme cortina ao lado de minha cama e abri uma fresta afim de ver o clima e o trânsito naquele momento. Arrastei a mesma até o fim e abri um pouco a janela. O vento soprava razoável em Nova York me fazendo apertar o pequeno casaco contra meu corpo. Como o fluxo de carros não estava tão grande assim, decidi pegar um táxi até a casa de para recuperar meu carro, então, coloquei meu celular no bolso, e alguns dólares para o táxi também. Desliguei a tevê e desci.
***

- Eu já...estava de saída.. - murmurou assim que me viu parada na soleira de sua porta.
- Só me dê a chave do carro.
- Que carro?
- Meu carro. - sibilei entredentes.
- É claro. - ele respondeu no mesmo tom e se virou para pegá-la em algum lugar de sua enorme sala de estar. Assim que voltou, estendeu-a para mim me fazendo dar um sorrisinho.
- Aqui. - ele disse.
- Muito obrigada.
- Toma cuidado. - ele murmurou de forma quase inaudível quando dei as costas.
Suspirei ao abrir a porta de meu carro novamente. Além de me trazer lembranças daquele dia, ainda me faz pensar que tenho de arrumar dinheiro para concertar esses amassos, huh?
Depois de me ajeitar no banco do motorista, engatei a marcha-ré para sair do local. "espero realmente que esse maldito trânsito novaiorquino me ajude, huh?", sibilei em voz alta no meio do caminho, depois de pensar se deveria ter respondido ao "toma cuidado" de . Ou ele estava realmente preocupado ou só estava sendo educado mesmo.
Vale apostar na segunda opção.
Dez minutos se passaram e eu já parava meu carro na entrada do resataurante.
- Não preciso de mais amassos, o.k? - adverti ao frentista logo depois de jogar a ele minhas chaves.
- Sim senhora. - ele sibilou e eu revirei os olhos.
- Boa tarde, senhorita. - O maitre² disse, calmamente, fazendo-me fingir um de meus melhores sorrisos. - Posso lhe ajudar?
- Angella Guess, sim? - falei, impaciente.
- Oh! Siga-me.
O homem de estatura mediana me levou até a mesa de Guess.
- Sabia que viria, . - ela ressaltou meu apelido.
- Para você é , ou até mesmo .
- Quanto estresse.
- Diga-me logo o propósito disso. - exigi. Eu preferia dormir a ter que olhar para essa cara de fuinha³ de Angella.
- Bom, como todos sabem, a Gossip está falindo... - revirei os olhos, ela iria repetir o mesmo discurso que suponho que tenha feito para ? Santo.
- Sim, sim..adiante-se.
- Você é boa demais para um futuro incerto, .
- O que quer dizer com isso?
- Minha companheira de negócios, , está afim de abrir uma revista de moda; e eu, vou agenciá-la e dar alguns conselhos sobre o mercado. Ela me pediu uma boa gerente de marketing...indiquei você.
"O quê?"
- Aqui está o número dela. - Angella continuou, ignorando minha expressão de espanto, passando-me um guardanapo com um número de celular. - Ligue para ela e marque um encontro, quem sabe você não se dá bem eu uma revista promissora. Pense bem, não faço isso para qualquer um. - ela disse depois de dar uma golada em seu vinho tinto.
²: Maître é uma palavra de origem francesa, que originalmente significa "chefe". Em português é o nome dado ao responsável por agendar os clientes em restaurantes, coordenar quem vai servir qual mesa - garantindo máxima eficiência no atendimento - e lidar com as reclamações dos clientes.
³: A fuinha é um mamífero mustelídeo de pequeno porte, pertencente ao grupo das martas. Este animal habita toda a Europa continental, excepto Escandinávia, e algumas ilhas do Mediterrâneo. Em Portugal é comum em todo o território embora a sua população seja desconhecida. É uma espécie não ameaçada de extinção.


SCENE 15
Some nights, I stay up cashing in my bad luck; some nights, I call it a draw. Some nights, I wish that my lips could build a castle; some nights, I wish they'd just fall off. But I still wake up, I still see your ghost, Oh, Lord, I'm still not sure what I stand for. (Fun - Some Nights)
Girei as chaves na fechadura e entrei em meu apartamento, me sentindo meio confusa. Era só mais uma das inúmeras propostas de emprego que recebo mas, essa era diferente; fora feita por Angella - o que me fazia repassar suas falas várias vezes em minha cabeça, procurando acreditar em uma palavra sequer que ela diz.- Eu já estava estranha com antes disso, e agora se contasse o que houve?
Chutei minhas botas para algum canto de meu quarto e suspirei. Querendo ou não eu teria de encará-lo, afinal, a audiência é amanhã. "Mais um dia que será difícil", pensei, "em compensação, quais dias não foram desde que voltei de Wisconsin?", completei. Meus pais com toda certeza perceberam algo estranho em mim, já que fiquei muda o resto da viagem. Lembrei-me com clareza das palavras utilizadas por meus pais, e da história contadas por eles assim que pendurava meu casaquinho de volta no cabide. Troquei as calças jeans apertadas por um short de malha confortável e um sutiã de bojo por um topper. Eu não suportaria mais um minuto sequer me torturando com essas roupas. Elas pareciam as mais confortáveis para mim, - em comparação com as do ambiente de trabalho - e agora estavam completamente tortuosas; mas que diabos!
Meu estômago roncou, deslizando sob confortáveis meias cinza-escuro, fui até o a pequena despensa - na verdade apenas um armário qualquer em que guardo as compras.
Não queria chocolate - por incrível que possa parecer -, muito menos cheetos, ou algo do tipo. Eu estava com vontade de algo doce e gelado. Um Starbucks não seria nada mal; ainda sim, não era doce o suficiente. Abri o congelador com uma certa esperança, meus olhos relusiram ao encontrar o pote circular de sorvete sabor flocos.
- O meu predileto. - murmurei - nada mal.- Apanhei-o juntamente com uma colher e sentei-me no sofá, fechando os olhos delicadamente apenas por saber que tenho todo o conteúdo só para mim.
O conteúdo gelado explodiu em minha boa em uma só colherada, ah. Liguei a televisão procurando algum filme babaca de comédia para assistir, até ouvir o barulho de uma notificação em meu celular; suspirei lenta e preguiçosamente enquanto me levantava e ia buscar o pequeno aparelho em meu quarto, no bolso de meus jeans que estavam largados sobre a cama.
"Oi, ! Posso te chamar assim, não é? Gostaria muito de te encontrar, não a trabalho, por favor...Falam muito bem de você no ramo, sabia? Me ligue ou responda aessa mensagem com 1 se quiser me ver, 2 se quiser ignorar, mas na verdade se quiser ignorar apenas ignore, não mande o número 2...enfim você entendeu! xx

Arregalei os olhos e soltei uma risada anasalada, mesmo sem entender o porque de tamanha familiaridade. Apesar de um terço de meus problemas envolver sua nova proposta de emprego, adorei sua simpatia - e fofura também,- o que esperar de ? No mínimo a achava um tanto metida, afinal, era uma super model, Angel¹; o máximo que as pessoas esperam dela é uma fisionomia invejável e um mero narizinho arrebitado. Pelo contrário, ela fora, super amigável naquela mensagem de texto. Sorri e digitei rapidamente uma resposta tão alegre quanto.
", que surpresa! Mas é claro que pode me chamar de ! Falaram bem de mim? Até Wikipedia é mais confiável do que a informação que você recebeu! Pode vir aqui as sete? xx"

Levei o celular junto comigo de volta para a sala, afim de terminar meu pote de sorvete. Logo outras mensagens de chegaram e desliguei a tevê, concentrando-me apenas no sorvete e no celular; já que respostas chegavam a todo minuto.
Alguns sacos de cheetos depois, e eu estávamos jogadas em meu sofá, dando boas risadas juntas, como se nos conhecessemos a um ano.
- Mas...- comecei, ajietando-me no sofá - Qual era mesmo sua proposta para mim? - indaguei, e vi respirar fundo.
- Bom, sou uma Angel, gosto de moda e trabalho com isso; quero compartilhar tendências, mostrar que a moda é acessível a todas as classes sociais, quero que o projeto da revista Closet, literalmente saia do armário.
- Closet? - indaguei rindo fraco - Adorei!
- Obrigada! Queria você como minha chefe de marketing, adoro seu trabalho, e apesar de falida, li todas as edissões da Gossip. Adoro a maneira como você dá sangue pelo seu trabalho e se dedica, quero isso para minha equipe.
Agradeci. Era bom ouvir um elogio sobre trabalho vindo de outra pessoa, fazia-me sentir realizada, mesmo tendo cometido várias falhas.
- Eu não sou tudo isso, . Eu só faço com amor, aquela revista é como um lar para mim... - Soltei o ar. Queria poder resolver todos os meus problemas, queria poder me resolver com ...
- Mas que carinha de triste é essa? Têm romance aí...
- Ah, como você...
- , não quero te obrigar a largar a Gossip, a beat ou seja lá qual o nome...muito menos a largar .
Arregalei os olhos.
- ? O que ele têm com tudo isso?
- Por favor...é evidente a paixão de vocês dois! A dupla perfeita! No trabalho e no amor, ah! Como eu sempre quis uma relação assim. - suspirou, decepcionada. Ri de leve. Quem vê assim até pensa que minha relação com é um mar de rosas vermelhas, humpf.
- Tudo bem, nós estávamos meio juntos...
! - repreendeu-me . - não existe meio juntos.
- Mas era como nós estávamos, até porquê, um dia ele gritava para toda Nova York sobre o quanto me amava e o no outro simplesmente me jogava fora.
- Dizem que é muito ciumento, mas não há homem nenhum para se ter ciúme, no seu caso...
- Há . - falei, ríspida, lembrando-me de todas as nossas discussões pelo mesmo motivo idiota. Revirei os olhos.
- E desde quando você e já tiveram alguma coisa?
- Nunca tivemos nada, mas sempre pensou que sim, pelo fato de eu não querer tocar no nome do infeliz enquanto estávamos juntos! - exclamei, a raiva correndo mais rápido em meu sangue.
- Vocês se odiavam, até quem não trabalha com editores sabia disso, nas premiações e eventos vocês se encaravam o tempo inteiro.
- é meu meio-irmão. E eu só soube disso semanas atrás, faz sentido eu não querer tocar no nome dele perto de , afinal, escondê-lo de mim fora uma traição de meus pais, que eu não consigo aceitar até hoje. - desabafei. Mesmo não conhecendo o suficiente para ter toda aquela conversa, era bom desabafar com alguém que realmente estivessa disposto a me ouvir.
- Sabe, eu reconheço tudo que você passa. Minha família não era das mais estruturadas.
- Você jura? Então me dê uma ajuda nessa questão porque since..- Parei de abrupto. Um forte enjoo atingiu meu estômago, de repente. Respirei fundo e coloquei as mãos sob minha barriga.
- ...o que foi?
- Nada, só um enjoo que logo...- Me vi com a mão na boca, correndo até o banheiro. O mais estranho é que eu nunca fico enjoada. Provavelmente deve ser a grande quantidade de besteira que tenho comido.
- , você está bem? - Ouço do outro lado da porta.
Fechei os olhos com força e apertei minha mão contra a barriga. Mas que droga! A audiência é amanhã, simplesmente não posso passar mal. Prendi meus cabelos em um coque, afastando-os de meu olho. Apertei o botão da descarga e andei em direção a pia, afim de lavar o rosto.
Do outro lado da porta, andava de um lado para o outro.
- Estou bem. - sussurrei, apoiando-me na soleira da mesma.
- Não está não, você precisa de ajuda!
- Que mané uda, .... Vou beber um copo d'água. - digo, caminhando até a cozinha.
recolhia os restos de batatas e copos vazios de refrigerante que estavam sob a mesinha de centro.
- Você precisa alimentar melhor...
- Eu já ouvi isso antes. reclamei depois de revirar os olhos. A imagem de em minha casa, no dia em que desmaiei, se forma em minha cabeça. Afasto o pensamento antes que me enjoe de novo.
- Dane-se se já ouviu antes. - diz logo depois de jogar o lixo fora.
Apoiei-me na bancada.
- Vamos na farmácia? - perguntei.
- Sim, e logo depois ao supermercados, renovar essa sua dispensa com coisas que prestram. - ela comentou, fazendo-me levantar o dedo médio para ela, que ri antes de rebater:
- Não vai ficar aí parada, vai?
- Vou tomar um banho bem depressa, ok?
- Bem depressa. - destacou ela.
Fui até meu quarto e escolhi uma leggin comum, sapatilhas e moletom. Realmente parecia que ia nevar. O tempo na cidade de Nova York era escuro, escuro até demais para às três da tarde.
Tomei um banho quente e rápido, quando acabei de me vestir, me esperava sentada na poltrona da sala, girando-a sem parar.,br> - Vamos. - chamei.,br> - Está melhor?
- Mais para menos do que para mais. - choraminguei.
- Depois que tomar um remédio, irá passar, pode ter certeza. - ela me tranquilizou enquanto abria a porta.
Sorri fraco. Era bom ouvir isso, como era bom também saber que eu acabara de fazer uma nova amiga. Só espero que dure desta vez.
- O que vai fazer em relação à ? - perguntou depois de nos acomodarmos nos nossos respectivos assentos de seu carro.
Bufei alto e riu.
- Não acredito que me perguntou isso! - exclamei, observando o clima lá fora.
- Olha só, me desculpa! - ela exclamou, gargalhando.
Ri junto mesmo sem saber o motivo de toda aquela piada. Fazia um bom tempo que não ria assim ao lado de uma amiga. Era bom.
- Chegamos. - ela disse, estacionando seu carro. Tirei o cinto de segurança que prendia minha cintura. - Quer que eu vá com você? - ela perguntou.
- Sim, por favor. - pedi e vi me seguir, depois de travar seu carro.
- Um antiácido e dois analgégicos, por favor. - pedi ao balconista.
- Perdão, mas qual são os sintomas?
- Enjoo, dores de cabeça..
- Desculpe-me a sugestão, senhorita, é que talvez.... - o homem abaixou a voz. - Talvez isso seja um sintoma de TPM.
Arregalei o olho em direção a , que reprimiu um riso.
- Não há problema, embora meu ciclo menstrual esteja perfeitamente em dia. - falei. - Agora me dê os remédios que pedi, por favor. - exigi enquanto tirava alguns dólares de meu bolso. Sorri de lado em agradecimento ao rapaz, depois que entregou-me uma sacola.
- Segunda parada: supermercados. - diz, com uma leve animação.
Sorri. Estava distraída com o que o rapaz dissera. Não que seja sintoma de TPM, mas a forma convicta na qual eu disse que emu ciclo estava perfeito.
Com o passar das horas ao lado de , me senti no automático, ouvindo, de corpo presente, respondendo, mas não mais processando as informações.
Ao parar para pensar, minha menstruação não vinha a dois meses.

SCENE 16
"Eveything happens for a reason" (Teaminspire)
Abri meus olhos devagar, respirando fundo. Puxei os enormes cobertores mais para mim, fechando os olhos novamente. A sensação boa de poder continuar a dormir ia me invadindo novamente, fazendo com que eu esboçasse um sorriso e virasse de lado, ajeitando-me por entre os travesseiros.
Enquanto voltava para meu sono, tentando aproveitar o tempo dele que ainda me restava, lembrei-me da quantidade de coisas que precisava fazer hoje. O que era uma pena, já que eu poderia passar mais de doze horas deitada nesta cama sem maiores problemas, a não ser minha fome.
Suspirei pesadamente e afastei os cobertores, esfregando os olhos. Esgueirei-me até que meu braço pudesse alcançar a beirada da cortina. Puxei-a e vi de relance o tempo lá fora, chuvoso e escuro - que me fazia querer dormir ainda mais -.
Virei o pequeno relógio prateado na mesa de cabeceira para mim, de forma que conseguisse enchergar. Oito e meia da manhã do dia vinte e oito de fevereiro. Eu realmente precisava acordar se quisesse estar bem disposta e com respostas o suficiente na ponta da língua para encarar Angella, e hoje mais tarde.
"Mais tarde?", pensei, "faltam apenas duas horas para que isso aconteça."
Sai de minha cama quente e confortável e me pus de pé. Tentei juntar algumas forças para o dia de hoje mas infelizmente elas não apareceram. Pus meus cabelos para trás e andei devagar até a cozinha, sentindo pequenas dores em minha barriga.
- Ah, que ótimo. - murmurei enquanto abria o armário da pequena dispensa. As dores iriam começar logo pela manhã e iriam durar o dia todo, preumo.
Não comentei nada com ontem sobre o fato de meu ciclo menstrual estar atrasado. Na verdade, não havia moivo algum para preocupações, afinal, tudo isso pode ser só uma virose, dores normais que aparecem ao longo do tempo...Mas nenhuma dor é normal, huh?
Mordi uma maçã depois de tomar um gole do café forte. Inspirei o ar sentindo o maravilhoso aroma que saída da caneca sob a bancada de mármore. Chequei as horas no relógio da cozinha: oito e quarenta.
Terminei de comer minha maçã calmamente, e saí em direção a meu armário, para procurar uma roupa formal, que me sirva também nesta chuva.
Revirei os olhos. Eu não tinha roupa alguma. "Saia preta e blusa branca", pensei, "simples."
- Mas eu não quero algo simples! - exclamei em voz alta depois de soltar um muxoxo de reprovação. Sou complicada até para escolher uma roupa; isso com toda certeza explica meu fracasso com os homens..
Por falar em homens, será que er não me ligaria nem no dia da audiência? Não que eu esteja ansiosa por sua ligação, muito pelo contrário.
Humpf a quem estou querendo enganar? Bem lá no fundo - talvez nem tão fundo assim - há alguém apostando tudo que têm e torcendo para que essa audiência seja um fracasso apenas para ter a oportunidade de consolar o chefe perdedor.
- Mas que egoísmo. - murmurei, afastando meu pensamento idiota.
Achei uma roupa que é até rasoável, calça preta, blusa rosa claro e blaser cinza, - alem de meus scarpins beges velhos que não abro mão - separei-as sob a cama e fui para o banheiro logo em seguida.
Depois de achar a temperatura perfeita, deixei que a água batesse em minha omoplata, relaxando-me. Tudo, exatamente tudo que acontecer hoje, definirá o futuro de , o futuro da beat, e o futuro do meu emprego. Se a Public! ganhar terá que desenbolsar milhões para Angella e sua revista, e isso é tudo que ele não têm. Isso irá nos arruinar, destruir-nos por completo. Não teremos dinheiro nem para concretizarmos o projeto da beat.
Acabei meu banho rapidamente e me vesti, repassando mentalmente meu discurso. Olhei em meu relógio, precisava chegar cedo se quisesse encontrar ainda de cabeça fria.
Dobrei as mangas de meu blaser e coloquei o resto de meus pertences em minha bolsa, antes de sair de casa.
***

Respirei fundo e abri a porta de meu carro, certificando-me de que tudo estava em ordem, inclusive minhas roupas. Fechei os olhos com força ao olhar para tras e notar que ajeitava-se em frente ao seu carro apenas seis vagas atrás de mim; caminhei até o elevador, desejando a todos os deus possíveis que nao viesse falar comigo.
- ? - Ouço a voz grave de me chamar e logo aperto o botão do elevador.
Está mais do que comprovado que ninguém lá de cima têm muita afeição por mim.
- ...oi! - cumprimentei-o enquanto entrava no elevador espelhado. - Como você está? - Perguntei, e logo quis queimar minha própria língua.
Eu sabia a resposta, e sabia também que não deveria tê-lo pergunatdo.
- Você sabe como é...- Ele falou, dando de ombros em seguida e colocando suas mãos no bolso.
- Tudo vai dar certo. - falei como um sopro. Não quero encará-lo, não agora.
Decidi começar a rezar, para que tudo desse certo, e para que a maldita porta desse elevador se abrisse logo.
aperta um botão no pequeno painel, o elevador para aos poucos, mas as portas não se abrem, ele havia nos trancado ali.
joga seu corpo para frente do painel assim que faço menção de tocá-lo.
- Me desculpe - Ele murmurou lentamente enquanto seus olhos se fechavam. Seu coração provavelmente estava tão apertado quanto o meu. - Eu não queria ter te tratado daquele jeito, não queria ter ido embora e não queria ter que passar por tudo isso agora. - Seus olhos estavam vermelhos, ele estava em pânico, ele estava descontrolado e desorientado, mas e eu? Eu iria ser a pessoa a abraçá-lo e dizer que ele não tinha culpa de nada e que tudo ai ficar bem? Enquanto aos meus sentimentos?
- ... Você me deixou confusa, magoada....
- Eu só não entendo o porque de tantos segredos entre nós. - Ele disse, passando as mãos pelo rosto. Lá vinha esse papo outra vez, quando irá entender que não há segredo algum?
- Você sequer estabeleceu um nível para a nossa relação. - Comecei.
- Não estabeleci? De que você chama nossa relação, então? Amizade, amor, sexo sem compromisso, abuso ou acidente com melhores amigos? - Ele atacou.
- Não seja irônico, . Olhe só para nós! Estamos dentro de um elevador, em um tribunal, discutindo nossa vida amorosa e sexual sendo que devíamos estar no andar de cima, em uma audiência para decidir, o que tudo indica, o futuro da sua revista e do meu emprego.
- Você têm razão, iremos discutir isso depois. - apertou com força o botão que fazia o elevador subir novamente. Revirei os olhos.